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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sam, o mico-leão-dourado



Nããããããããããoooooooo !!!

3.45 da manhã. Tudo escuro. Olho para esquerda. Nada. Olho para direita. Nada. Olho para cima e para baixo. Nada. Onde estou? Tento me mover. Nada. Tento falar alguma coisa. Nada. Tento gritar. Nada. Como será que vim parar aqui?  Alguém acende a luz. Posso enxergar agora. Conheço aquela mesa. E aquela cadeira. E aquele laptop. Estou no meu laboratório. Olho para direita e vejo Sam, meu macaco de estimação. Sam é um mico leão-dourado. Amo aquele macaquinho. Ele é engraçado e sempre bem humorado. Tento dizer algo para ele. Nada. Não consigo pronunciar uma palavra sequer. O que sai da minha boca são apenas meia palavras. Sam olha pra mim. Percebo que sua boca está vermelha. Deve estar comendo as framboesas que sempre pego pra ele. Ele me olha fixamente. Me encara. Um olhar sério que não me lembro ter visto. Olho para sua mão. Tem alguma coisa ali. Brilhando. Parece ser uma... faca. Mais precisamente um bisturi. Sam está segurando um bisturi. O meu bisturi.

Um pouco mais cedo no mesmo dia...

O dia não foi dos piores. Recebemos a visita de um grupo de alunos de uma escola municipal que fica há 20 quilômetros de distância. Eles vieram num ônibus velho, caindo aos pedaços. Mas isso não importou em nada para aquelas crianças, pois tiveram o dia mais feliz da vida delas. Passaram o dia brincando com vários animais, principalmente com os macacos e com o gorila Tum Tum, que veio diretamente da Republica Democrática do Congo. Ele recebeu esse nome devido aos seus passos pesados, possíveis de serem detectados a metros de distância. Tum... Tum... Tum... Tum...

Trabalho num laboratório no meio da selva amazônica. Sou cientista com mais de 10 anos de experiência e estudos no campo neurológico. Tento desvendar o fascinante e complexo mundo dos neurônios. Sou fascinado por essa área desde os 10 anos de idade, quando assisti ao filme/documentário “Faces da Morte”. 
As imagens do documentário ainda estão vivas no meu córtex frontal. Lembro como se fosse hoje: um canibal que vive nas selvas da Ásia Central comendo o cérebro de um macaco. O engraçado era que o macaco estava vivo enquanto o homem fazia sua refeição noturna. Lembro dos meus amigos todos com cara de nojo. Uns chegaram até a vomitar. Não eu. Eu estava fascinado. O homem cortando o cérebro do pobre e inocente macaquinho e o mesmo ali, de olhos abertos e assustados. Como aquilo era possível?

A partir daquela cena resolvi estudar essa parte do corpo e descobri coisas incríveis:

1. O cérebro possui 160.000 quilômetros de veias sanguíneas, o suficiente para dar a volta na Terra quatro vezes;

2. Ele tem 100 bilhões de neurônios, as células conhecidas como a massa cinzenta que processa a informação;

3. 20% do oxigênio inalado pelo ser humano é usado pelo cérebro; 

4. Se o cérebro fosse um HD de computador ele teria 4 TB de informação;

5. Os homens processam primeiro a informação do lado esquerdo do cérebro. Já as mulheres fazem essa tarefa com os dois lados do cérebro simultaneamente;

6. A afirmação de que homens são racionais e mulheres são emocionais é verdadeira. Isso acontece porque as mulheres têm uma maior parte do sistema límbico, que controla as emoções. Porém, os homens têm uma porção maior da parte inferior, responsável por controlar as habilidades de cálculos.

7. Quando o cérebro sofre algum dano acidental, podem acontecer síndromes que levam o ser humano a ouvir grandes explosões, pensar que tem mais membros do que realmente tem e ficar incapaz de mover os membros quando acorda. Isso acontece porque o cérebro ainda está em repouso.

8. A idéia de que humanos usam apenas 10% do cérebro é mito. Toda parte do cérebro tem uma função e trabalha o tempo todo.

9. O cérebro é dividido em dois hemisférios. Enquanto o esquerdo controla os pensamentos analíticos, o direito coordena os pensamentos criativos.

10. Aprender uma segunda língua antes dos 5 anos pode mudar o desenvolvimento do cérebro para o resto da vida. As crianças adquirem a capacidade de desenvolver mais massa cinzenta quando alcançam a idade adulta.


Mas não pense que minha jornada até o estudo do cérebro foi fácil. Para poder fazer um curso específico de Neurociência (ramo da ciência ou conjunto de conhecimentos que se refere ao sistema nervoso) me formei primeiro em Medicina (conjunto de conhecimentos relativos à manutenção da saúde, bem como a prevenção, tratamento e cura das doenças, traumatismos e infecções) e depois estudei Psicologia (ciência que trata dos estados e processos mentais, do comportamento do ser humano e de suas interações com um ambiente físico e mental). Com esse conhecimento prévio, fiz um curso de pós-graduação em Neurociência na Universidade de São Paulo.  

Foram anos árduos de muito esforço físico e mental. Dias e noites em claro, buscando entender o relacionamento do cérebro com o sistema nervoso. Mas valeu a pena. Depois de conseguir boas notas, fui patrocinado por um gigante do ramo farmacêutico e juntos fincamos um laboratório no meio da Amazônia selvagem. Não foi fácil conseguir a papelada devido à grande burocracia que empaca nosso país, mas depois de quase um ano nosso laboratório saiu do papel, assim como minhas idéias.

Comecei meus estudos sozinho. Confesso que foi assustador no inicio. Principalmente à noite quando você ouve sons, mas não consegue saber o que está emitindo aquele som. A pior parte é ficar imaginando se o animal é pequeno ou grande, inofensivo ou perigoso. Eu particularmente não tenho medo de animais. Porem há um que me dá calafrios: cobras. E na nossa floresta há cobras dos mais variados tamanhos e cores. Felizmente, nunca fui picado por uma venenosa. Fui uma vez surpreendido por uma que estava escondida na cozinha. Chegou a me picar, mas não era peçonhenta. Passado o susto, fui me acostumando com os sons.


Trabalho com muitos animais, o que é bom e ruim. Bom porque tenho o prazer de presenciar todo o poder do Criador. São animais lindos. Exóticos. Por exemplo: onça pintada, arara-canindé, mariposa atlas, garça real, araçari-castanho, entre outros. Mas o meu animal preferido e objeto dos meus estudos é o macaco. E podemos encontrar as mais variadas espécies: macacos-da-noite, guaribas, macacos-aranha, macacos-pregos, sagüis, micos-leões, macacos-de-cheiro, etc. O trabalho se torna ruim quando preciso sacrificar alguns macacos. Faço isso para estudar o cérebro. E nesse caso o animal que tem o cérebro mais próximo ao nosso é o macaco. Nunca gostei de fazer isso, mas sempre que preciso passar por esse momento, penso no bem maior que está sendo feito em prol da humanidade. Assim fico com a consciência menos pesada.

As crianças foram embora. Os meus assistentes também. Estou sozinho. Quer dizer, mais ou menos. Meus amigos animais estão comigo. Sam está lá fora. Aliás, há horas que não o vejo. Deve estar namorando. Antes de tomar banho, dou uma olhada nos meus e-mails e também checo se alguém postou algo novo no Facebook. 2 mensagens da minha mãe e nenhum pedido de amizade. Por que ninguém quer ser meu amigo? Olho para o relógio. Quase meia noite. Preciso comer. Abro a mini geladeira e pego o pedaço de pizza que compramos ontem para celebrar meu aniversário. Pego também o que sobrou de uma garrafa de coca. Começo a me deliciar com a pizza do dia anterior e coca sem gás quando escuto: Tum... Tum... Tum... Tum... Será que Tum Tum escapou? Um dos meus assistentes, muito provavelmente o Caio, esqueceu de fechar a jaula. Penso em sair para ver o que está acontecendo. Não é mais preciso. Tum Tum está dentro do laboratório.

- Boa noite, Doutor.

Não acredito no que acabo de ouvir. Tum Tum falou.

- Boa noite, Doutor.

Ele repete a frase. E eu continuo não acreditando. Como assim Tum Tum está falando? Ele é um gorila. Macacos não falam (a não ser os que estrelam o filme Planeta dos Macacos). Deve ser a pizza. Ou a coca sem gás. Cuspo o pedaço de pizza da boca e jogo a coca fora.

- Não vai responder, Doutor?

Tum Tum faz uma cara de mau. Melhor responder.

- Bo... bo... boa noite... Tum Tum.

- Pensando bem, Doutor. Boa noite para mim. E não tão boa para você.

- Como assim?

- O doutor logo verá.

Tum Tum se aproxima e sem nenhum aviso me dá um soco. Desmaio instantaneamente.



3.45 da manhã. Hora atual.


- Olá, Doutor.

Sam, meu mico leão-dourado, tem uma bela voz. Mas soa um pouco que sinistra. Do meu lado está Tum Tum. Do outro lado, macacos que estavam enjaulados. Na minha frente, Sam.

- Dormiu bem?

- Sam, o que está acontecendo aqui?

- Eu odeio quando respondem uma pergunta com outra pergunta.

Sam me dá um soco no estômago. Fico sem ar por 10 segundos. Nunca imaginei na minha vida que um soco de um mico leão-dourado doesse tanto.

- Perguntei se você dormiu bem.

- Sim, Sam, sim. Eu devo estar maluco. Estou conversando com um macaco.

- Está maluco não, doutor. Agora, pergunte se eu dormi bem.

- O quê?

Levo outro soco no estômago. Agora seguido por um no rosto.

- EU DISSE PARA PERGUNTAR SE EU DORMI BEM !!! ODEIO REPETIR !!!

- Ok... ok... Você dormiu bem???

- Não. Eu não durmo bem desde que cheguei aqui.

- Como assim? Sempre te tratei bem.

- Exatamente. Sempre me tratou bem. Mas e os outros macacos??? Quantos o doutor matou? Quantos não sacrificou em nome da Ciência? Eu sinceramente não me lembro. Perdi a conta de quantos amigos perdi.

- Mas Sam, faz parte do meu trabalho.

- O doutor sente prazer nisso?

- O quê?

Mais um soco no estômago.

- EU PERGUNTEI SE VOCÊ SENTE PRAZER EM MATAR OS MEU AMIGOS, MEUS IRMÃOS PRIMATAS???

- NÃO. CLARO QUE NÃO.

- E PORQUE O FAZ?

A conversa está tensa. Posso ver o ódio nos olhos do Sam. Falta pouco para ele enfiar aquele bisturi na minha barriga. Preciso tomar cuidado com as palavras. E com o tom da minha voz.

- Sam, sinto muito. Gostaria que fosse diferente, mas eu precisava... preciso estudar o cérebro para tentar entender como o nosso cérebro, o do ser humano, funciona. Eu nunca senti prazer algum nisso. Aliás, essa sempre foi e sempre será a pior parte do meu trabalho.

- Mas não teria como fazer o seu estudo SEM TER QUE MATAR MEUS POBRES AMIGOS ???

- Não. Infelizmente.

- Ok. Ok. Bem, essa conversa todo me deu uma fome. O doutor está com fome?

- O quê?

Dessa vez não tomo um soco. Porém Sam coloca o bisturi próximo a minha garganta. E pergunta novamente.

- Está com fome???

- Sim.

- Pois bem. Eu trouxe algo para você degustar. Tum Tum. Traga o prato com a iguaria.

Tum Tum se aproxima com uma bandeja e nela consigo ver uma pequena quantidade de massa de cor cinza misturada com vermelho. Sam pega um pouco da massa com uma colher e tenta colocar na minha boca. Reluto. Levo outro soco. Sam força a massa muito gosmenta na minha boca. No começo o gosto é amargo, mas depois de uns segundos fica doce. E gostoso. Na verdade, gostoso até demais.

- Hmmmmm.... Não é tão ruim. O que é isso?

- Segredo. Quer mais um pouco?

- Sim.

Sam coloca mais um pouco na minha boca e como criança eu vou comendo tudo. Lambendo até os beiços. Olho para a bandeja e vejo que acabou a tal massa gosmenta. Fico triste. Nunca havia comido algo tão diferente e tão saboroso. Pergunto então se há mais daquela massa.

- O doutor quer mais, então?

- Quero. É muito gostoso isso.

- Ok. Vou preparar mais um pouco. Só um segundo. Já volto.

Sam sai e quando volta trás com ele um espelho grande que temos no laboratório.

- Para que esse espelho.

- Você não quer saber o que é está comendo?

- Sim.

- Pois bem. Tum Tum, please.

Tum Tum pega o espelho e coloca na minha frente. É quando eu tenho noção real do que está acontecendo. Estou totalmente amarrado e sobre minha cabeça está Sam. E com ele o bisturi. Ele então gentilmente começa a mexer o topo da minha cabeça e retira o meu coro cabeludo, deixando exposto o meu cérebro.

- OH MEU DEUS. O QUE É ISSO? OH MEU DEUS !!!

- Isso, DOUTOR, é o seu cérebro.

- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?

- Ora. Preparando o jantar.

Sam, então, pega o bisturi e enfia no meu cérebro. O sangue escorre por minha testa. Ele tira um pedaço e dá para Tum Tum que ligeiramente põe na boca e lambendo os beiços diz:

- Hmmmm... quase tão bom quanto banana.

Fico alucinado. Quero fugir mas não consigo.

- EU VOU TE MATAR SAM. EU VOU...

- Vai me matar como matou meus amigos???

Sam corta mais um pedaço do meu cérebro e então perco a fala. Grito loucamente, mas não sai um som sequer. Pelo espelho, vejo os dois se alimentando do meu CÉREBRO.

- Hmmmm... que delícia, doutor. Depois do cérebro acho que vou pegar um pedaço do nariz. E depois uma orelha. E depois de acabar com a sua cabeça, a gente vai para os braços, o peito. Hmmmm... Pensando melhor, deixa eu pegar agora um pedaço da orelha. Parece apetitosa.

- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOO !!!!





Esse relato, caro amigo leitor, não aconteceu. Pode ficar sossegado. Eu estou bem. E inteiro. O que escrevi foi um sonho que tive e que me fez acordar sem fôlego e com o coração disparado. Eu tive o que os cientistas chamam de paralisia do sono. Eu acordei e por alguns segundos não consegui me mexer. Lembro que tentei gritar, mas não saiu um som sequer. Fiquei apavorado. Foi uma sensação horrível e espero não vivenciá-la novamente.


Espero de coração que você nunca passe por isso. Mas preciso alertá-lo: estudos mostram que a maioria das pessoas irá, em algum momento da vida, passar por essa terrível experiência. Se você já passou, sabe do que estou falando. Se você ainda não, prepare-se. O negócio é feio. 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Walking On Cloud Nine

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Author’s note
Cloud nine is a state of elation or great happiness. This term is based on U.S. Weather Service terminology. A cloud nine is the designation given to ‘cumulonimbus’ clouds, the highest-flying clouds around, making them an apt metaphor for being “on the top of the world.” When you are on cloud nine you feel wonderful like nothing else is really very important. It is a fictitious place said to be similar to heaven. It means that you are extremely happy, almost in heaven.


Walking on cloud nine
I am an English teacher. No, I am a Brazilian teacher who teaches English. Confusing? Well, a friend of mine taught me that. Anyway, as I was saying, I teach English. I love this language. I have been a teacher for quite a while now and every day I love it more and more. I have such a pleasure when I watch a movie and understand it or listen to a song and get frustrated because the lyrics is terrible or listen to two native speakers having a chat and I do not feel lost. This language has put me into contact with nice and interesting people. This language has given me the chance to travel to other countries. Actually for one country only but in this country you can find many different people that it feels like you are in many countries at the same time. I would say it is not a country but a continent. I am talking about the United States of America. 

Speaking of the USA it is clear that the Americans have changed it. I mean the language. You listen to so many slangs and expressions that you may think: is it English? Do I really speak English because my teacher Edson did not teach me that? That is funny and frustrating at the same time. You must know not only the regular English but also slangs, expressions and idioms. Gosh. They are hard to understand sometimes. Well, not to this friend of mine. She knows practically everything. She has this elephant memory. And she has pleasure in teaching us. It is so nice seeing her explaining the idiom and giving details about it. I will never be able to do the way she does.

But speaking of idioms, there is one that I had always struggled with and had always lost. I couldn’t understand the meaning. I had a vague idea. I knew it was something good but couldn’t understand why. But today I got it. Now I know why.

I am inside this huge airplane now flying back home to Jardim Romano. Have you ever heard about JR? No? You will. Well, I am drinking some orange juice with a lot of ice. Sorry, this has nothing to do with the story but I have to tell you, I love this American orange juice. My friends back in Brazil hate it. Don’t know why. It is really good. Well, not too long ago, about 20 minutes, the airplane takes off and I can witness one of the most beautiful views: the clouds. They are like carpets. It gives you the false impression that you can walk on it. I almost ask  the steward to open the airplane door and let me out. The view is so inviting. I keep looking at it. I am trying to describe it to you but in fact it is impossible. It does not matter the words I use. They will not get even close to the reality.


Children
I keep looking outside, mesmerized by this wonderful view, when something calls my attention. I swear to God I can see some children playing. And yes, they are children playing tag, hide and seek, soccer, flying the kite etc. All sorts of children: white, black, yellow, tall, short, fat, slim, thin I can hear all languages. I can see American kids playing with Iraqi kids. Chinese with Japanese. English with French. Brazilians with Argentines. I wish all politicians could see that. Instead of sending children to war to fight for stupid reasons, they should sit at a round table and civilly discuss the fate of our planet. Anyway, the children  seem really happy. And all of them, simply all of them are doing what they do best, are playing.


Mom
I still can’t believe in my eyes when I see an old lady looking at me. I do not recognize her at first but then… it is her… it is my mom and she is saying "Come on son. Get off this plane and give your mother a huge tight hug". I tell her “I can’t open the door mom.” She says “Do not worry. Trust me. Now come here.” I look around to check if anybody is seeing what I am seeing. Some people are busy checking their cell phones and laptops. Others are sleeping. So I open the door and leave the airplane. And I… I… start walking on the clouds. Amazing!!! I get close to her and give her a huge bear hug. I start crying and she says “There’s no need to cry. Not here. Mom is fine. I have never felt so alive in my whole life.” I can’t stop hugging her. I do not want to let her go. Never. Then she says “Walk with me. I want to show you something" She holds my hand and takes me to a walk. I still can't believe I am walking with my mom on a cloud. It may sound crazy but it is not. Then I hear someone saying “Edinho? Is that you?” I look back and see my grandma. Her name is Virgilina but we used to call her Vó Roxa’. Please do not ask me why because I have no idea. I was a kid and used to think ‘but grandma is not purple.’ Anyway, I run after her and kiss her, hug her and cry, of course. So she says ‘Wow. Look at you… All grown-up now. And you turned out to be a handsome guy, huh? You were so ‘feinho’ when you were a kid. Hahaha… Come on. Give me another hug.” She wipes out my tears and then I say “My God… mom and grandma together. How about grandpa? And daddy? Where are they? Are they here?” Grandma says “Yes, they are here but can’t be with us right now. They are building a house in the other side of this cloud, miles away from here. But they said they are proud of you and will see you when the time comes.” “What? When the time comes? I don’t get it?” I ask Grandma in disbelief. “When you die Edinho... They will see you when you die... But do not worry. You are not gonna die soon. And no, your airplane is not gonna crash. Hahaha…” “Grandma… I love you.” “I know. I love you too. Now your mom has more things to show you.”


Angels
My mom takes my hand again and the tour continues. I suddenly start listening to incredible voices. I can’t resist. They are just wonderful. I look behind the trees… You heard just right... There are tress on the clouds… anyway, I look behind the trees and see a chorus of angels singing. They are beautiful with their golden hair and big wings. And they sing… and sing… and I listen… and listen… I could spend days listening to them and would not get bored. I get lost in their voices when my mom touches my shoulder and gives the signal that we must go on.


Lasagna
My mom looks really beautiful. I can’t stop looking at her and that makes me think her last months on Earth. She suffered a lot because she had Chagas disease. She looks at me and somehow she knows what I am thinking. “Don’t worry honey. That was necessary. But now I am as healthy as a bull. Hahaha...” And laughing she gives me a tight hug. “And how is Kelly, your baby sister?”  I say “She is ok mom. Gustavo is almost 1 year now. He is really cute and healthy.” She stops walking, look me into the eyes and says “Take good care of her. Your sister needs you more than you think. And take care of Gustavo too.” “Ok mom. I will. I know how much you love them.” “Ok. You know what? I am hungry. Let’s eat.” She takes my arm and together we head to the best place on cloud nine: The Lasagna Corner. Yes, that’s right. They have lasagna up there. Isn’t it just fantastic? And I assure you it is the best lasagna I have ever eaten. I ask my mom “How come they have lasagna here?” “We have all kinds of food up here. And everything depends on the client. I know that you love… love no… adore lasagna. So here it is. The best lasagna is made at The Lasagna Corner. And after that I have a surprise for you.” So I eat as much lasagna as I can and of course ask for my surprise. “Where is it mom? Where is it?” She takes a bowl and shows me. How I missed that. My mom prepared a pudding for me. I have to confess that her pudding was never thaaaat good but that one was simply delicious. “Mom, what happened? Your pudding is wonderful." "What? You mean my pudding wasn't good?" "Noooo... I didn't say that... what I meant was..." "Hahaha... No worries, son. I understand... “You asked why my pudding is wonderful. Well, it's like they say: in heaven everything is much much better. Even my food. Hahaha… Now calm down young man otherwise you will have a stomach ache.” I looked at her and with my mouth full of pudding I say "But moooom... It is simply delicious. I can’t help it. I want to eat it all." When I am almost done she takes my hand again.


Tigers
We've been walking around for 1 hour  when I see an animal running towards us. I can’t recognize the animal because it is too far but after some minutes, with the animal getting closer and closer I realize it is a tiger. I freak out. Although I think they are the most beautiful animals on Earth, I prefer to see them on Animal Planet. I look at my mom and she is calm. How come? IT IS A TIGER. “Run mom. Run…” She doesn’t move. I can’t move either because the animal will have to kill me first before killing my mom. It sounds brave but I am scared as hell. Well, the tiger gets closer, I close my eyes expecting the worse when… it jumps on me and starts liking my face with that watery tongue. My God… My mom gives me a ball, I throw it and the tiger goes after it. I have a pet and my pet is a tiger. My friends will not believe me… hahaha… I have such a great time playing with the tiger. It is very heavy and its teeth are sharp but they do not hurt me.



The One
After 2 hours playing with Paco (yes, I named the tiger Paco) my mom looks at me and says “Your time here is almost up. You have to go back to the airplane. But first I need to introduce you to someone.” She takes my hand again and takes me to the quietest place on the cloud. When I get there I see Him. I ask my mom “Is it… is it… Him… the One and Only?” “Yes son. It is Him.” He is beautiful. He is the most beautiful person I have ever seen. And He shines.  He comes towards me and my first reaction is to kneel. He looks at me and says “Stand up, Edinho. I’ve been waiting for this moment for a while now. How are you today?” I can’t believe my ears. Jesus is talking to me. And he called me Edinho. My second reaction is to cry. He holds my chin, wipes out my tears and says “Not here. You don’t cry here. Nobody cries here. This is a place of happiness and joy. Here there is no sadness, no stress, no depression. There are no tears. There is no sorrow. Here people are really and truly happy.” I look at Him and don’t know what to say. I can’t think. “I know. People have this reaction when they see me. I understand. I just want to say one thing before you leave… Everything is gonna be alright.” Suddenly I feel good. All the bad feelings go away. I feel lighter… like I had lost 10 pounds. “Now… I want you to close your eyes.” I manage to say something “But Jesus. I don’t want to go. I want to live here.” He gives me that look that only Jesus has and says “Don’t worry son. You will live here with me. But not yet. Not yet." He approaches and gives me the warmest hug I have ever felt. I feel so safe and loved. He looks at me and says "Well, time to go. And like I said before… Everything is gonna be alright. Now, close your eyes.” I do as I am told and when I open my eyes, I am back at the airplane. 


On the plane
People are checking their cell phones, laptop. Others are sleeping. I look at my watch to check the time. 30 seconds has passed… 30 SECONDS. But I stayed more than 5 hours on the clouds. I stared outside looking for Him. I have to see Him again. Say that I love Him and I need Him. But somehow I believe He knows it.  I look for my mom. I have to see her again and  hug her as tight as I can. Show her all my love. Does she know I love her? Does she know I miss her? I hope so. And grandma? Paco? Lasagna? Pudding? Gosh… I miss this cloud already.

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sábado, 9 de maio de 2015

Saudades

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Queridos Edinho, Anso, Naldo, Du e Kellinha.

Espero que essa carta possa encontra-los bem. E se por um acaso vocês estiverem lendo essa carta agora é porque não estou mais entre vocês. Chegou minha hora e Papai do céu me levou.

Gostaria muito de estar com vocês, mas meu coração chagado não aguentava mais. Vocês se lembram como era difícil pra mim ir até a padaria que ficava alguns metros de distância de casa. Mas eu não o culpo. Ele foi valente viu. Resistiu por anos.

Bem, se não estiver enganada quando essa carta for lida será próximo do Dia das Mães. Ah como eu gostava desse dia. Vocês se lembram? O Edinho acho que não porque a memória dele já era fraca naquela época, imagina agora. Rsrs... Então deixa eu recordar... Todos reunidos na minha casa para um belo almoço. Como era bom ve-los reunidos, comendo e dando risada. Aaahhh... Como não lembrar das piadas mais do que engraçadas do Edinho. Eu amava as suas piadas, meu filho. Não entendia porque ninguém dava risada. Mas não importava. Eu adorava.

Como andam as coisas por aí? O Gustavo deve estar enorme né? E o Tiaguinho? Continua arteiro? Eita menino que não parava quieto. Saudades dele. E o Derick? Deve estar um homenzarrão. E lindo que nem o pai. E o Antony? Como parece a Simone, né? Meu Deus.

O Eduardo conseguiu vencer seus monstros? Conseguiu, né? Eu sabia. Nunca desacreditei. Coloquei a vida dele nas mãos de Deus e tinha fé de que meu filho iria vencer as drogas. E pelo que vejo aqui de cima... Oh Glória, ele voltou a ser o meu neguinho. O meu Du que eu tanto amo. Agora, Eduardo. Abre o olho. Vigia meu filho. Não dá bobeira não. O diabo tá bem ali, esperando você vacilar.

E a minha neguinha? Como anda a Kelly? Ja está trabalhando? Tem que trabalhar minha filha. Assim você usa o dinheiro para comprar suas coisinhas. E as coisinhas do Gu. Ai, meu netinho. Aliás, meus netinhos. Que saudades.

Bem, vou me despedir por aqui. Aaahhh...o seu pai tá aqui do meu lado. Mandou um beijo para cada um de vocês. E está me lembrando que dia 30 é aniversário do primogênito. Parabéns Edinho. Desejamos tudo de bom pra você meu filho. Te amamos muito, viu? Se estivesse ai faria aquele pudim que você tanto amava e elogiava.

Um beijo para todos vocês meus filhos queridos. Mamãe ama todos vocês. E de forma igual viu. Parem com essa besteira de achar que eu amava mais o Edinho. Só porque eu fazia questão de preparar a saladinha que ele gostava, depois de um dia estressante no trabalho, não quer dizer que eu amava mais ele. Ouviu, Du?

Não briguem crianças. Principalmente vocês, Du e Kellinha. Não quero ver mais discussões. Vocês têm suas diferenças, mas são irmãos. São meus filhos. E meu coração entristece toda vez que escuto os insultos. Parem com isso agora. Ou será que vou ter que descer e dar umas palmadas nos dois?

Meu Deus. É muita saudade. Se cuidem minhas eternas crianças.

Beijos da mamãe.

Santinha

P.S.: se alguém além dos meus filhos estiver lendo essa carta, beije, abrace, ame sua mãe. Dê mimos. Faça carinho. Obedeça. Ela merece. E faça isso todos os dias e não somente no Dia das Mães. Ela não te ama só um dia por ano. Ela te ama todos os dias.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Cidade Maravilhosa

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Era o seu primeiro dia numa cidade grande. Por anos ela sonhava com esse momento. Contava os dias. Sua mãe também contava. Mas não os dias e sim os causos de pessoas que vivem nos grandes centros urbanos, se aglomerando umas sobre as outras como formigas e morando em prédios que são tão altos que chegam a arranhar os céus. Ela sempre contava histórias de pessoas que eram sequestradas, estupradas, assassinadas. E como moradora da pequena cidade Passa e Fica, localizada nas entranhas do estado do Rio Grande do Norte, queria que sua filha ficasse e por isso temia o momento da partida. Não queria ver sua filhinha batendo asas e deixando a pequena cidade, pois ela mesmo, como gostava de lembrar, nunca tinha colocado os pés fora da cidade. Nunca teve vontade. Já Marisa, diferentemente de sua mãe, não via a hora de conhecer outros lugares. Outras pessoas. E o carnaval era a chance para isso.

Marisa cresceu ouvindo falar sobre essa cidade. Uma cidade tão diferente e tão especial que era conhecida como Cidade Maravilhosa. Quando via na TV o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, a praia de Copacabana, ficava de boca aberta. Precisava conhecer a cidade do Tom Jobim e Vinicius de Moraes. A cidade da garota de Ipanema. Aliás, ela sonhava em ser a tal garota. E tinha potencial para isso. Era bonita, inteligente e sensual. Guardava no bolso um cartão postal de um rapaz que esteve de passagem pela cidade. Ele disse para Marisa procurá-lo caso fosse um dia para o Rio de Janeiro. Faria questão de mostrar toda a cidade. Marisa ficava embasbacada cada vez que ouvia falar sobre a favela da Rocinha. Imaginava os morros com pessoas indo e vindo dia e noite. Um local onde pulsava vida. Uma outra coisa que chamou a atenção de Marisa, além do cavalheirismo, foi a beleza do rapaz carioca. E marcou muito o que ele disse quando estava deixando a pequena cidade de Passa e Fica. "Venha para o Rio. Prometo que você nunca mais terá vontade de ir embora. Coisas inesquecíveis e inenarráveis acontecerão com você”.   

Esse dia havia chegado. Marisa estava no Terminal Rodoviário Novo Rio, a nove quilômetros da famosa praia de Copacabana. Estava toda empolgada. E não estava sozinha.

- Wow. Olha isso tudo. Que demais.
- Marisa, to com medo.
- Medo do que?
- É muita gente. Gente que não acaba mais.
- Oxe. Cidade grande é assim mesmo. E estamos na maior de todas.
- Onde mora o seu amigo? Olha aí no cartão postal.
- Já olhei. Fica perto da rodoviária. Dá para irmos andando.
- Não é melhor ligar pra ele antes?
- Não. Vamos fazer uma surpresa.

20 minutos depois...

- Pronto. Chegamos. Vou tocar o interfone.
- Pois não?
- Sou eu. A Marisa.
- Marisa??? Não conheço nenhuma Marisa.
- Você não se lembra de mim? Você passou pela minha cidade alguns anos atrás e disse que eu podia te procurar quando viesse para o Rio.
- Desculpa, mas... Eu estou sempre viajando.
- Você falou que eu era linda, podia ser até atriz de cinema.
- Olha... Sem ofensa... Mas digo isso para um monte de mulheres.
- Você me deu um cartão postal... Me comparou com a Camila Pitanga.
- Camila Pitanga... Camila Pitanga... Lembrei agora. Maneiro. Você é aquela morena gostosa pra cara... Digo, aquela morena bonita, de cintura fininha e cabelo longo, super gosto... digo, bem jeitosinha.
- Isso, sou eu mesmo. E trouxe uma amiga comigo.
- Você o quê? Ai meu Deus. Minhas preces foram atendidas. Calma lá. Vou abrir a porta. ...Clack... Abriu?
- Sim.
- Podem subir. Estou no 7º andar, apartamento 71-B.
- Ta bom. Estamos subindo.

Marisa estava super feliz por reencontrar o rapaz do cartão postal. O nome dele era Dinho. O nome não estava escrito no cartão postal, mas não precisava, pois ela nunca iria esquecer esse nome. Ela não disse nada para Marta, sua amiga de viagem, mas a cidade não era a única razão de estarem ali. Ela estava apaixonada. Não conseguia parar de pensar no rapaz da cidade grande desde o primeiro momento que pôs os olhos nele. O seu coração batia forte. O coração de Marta também, mas por razões diferentes. Ela estava era com medo de tudo aquilo. Naquela cidade tudo era multiplicado por 10: carros, pessoas, barulho.

- Olá. Tudo bem?
- Oi Dinho.
- Wow. Você lembra o meu nome.
- Não tinha como esquecer.
- E qual o nome da sua amiga?
- Meu nome é Marta.

Os três se cumprimentaram. Dinho deu três beijos na bochecha de cada uma delas, o que gerou estranheza por parte de Marta. “Por que tantos beijos? Podia ser só um, né? Mania estranha”, pensou ela. Dinho mostrou o apartamento, pediu licença e foi tomar um banho. Depois de 20 minutos apareceu na sala somente de toalha. Marta tampou os olhos enquanto que Marisa ficou imaginando o rapaz sem aquela toalha. Os três comeram um resto de pizza da noite anterior e saíram para conhecer a cidade.

Depois de um tour pela cidade, tendo Dinho como guia, voltaram para o apartamento. Já passava das 2 da manhã e elas estavam exaustas. Porém Marta não estava mais com medo. Ao contrário. Agora estava era empolgada com tudo que tinha visto. Era uma legião de turistas que vinham de todos os lugares do mundo. Acabaram fazendo amizade com um grupo de americanos que estavam no Rio pela primeira vez. Protagonizaram cenas hilárias. Tanto elas quanto os gringos. Nunca haviam rido tanto. E quanto mais Marisa prestava atenção em Dinho, mais apaixonada ficava. Ele não cansava de explicar a história de cada lugar daquela cidade. E era incrível como sabia tudo sobre tudo e todos. E quando paravam para comer ou beber não deixava que elas pagassem nada. Até aquele momento elas não tinham colocado a mão no bolso.

Depois desse tour maravilhoso pela cidade não estavam apenas cansadas, mas também tontas. Pela primeira vez haviam bebido. E muito. No começo resistiram. Disseram que não iriam ingerir bebida alcoólica. Porém, depois de serem persuadidas por Dinho, acabaram experimentando pela primeira vez a famosa caipirinha carioca. Simplesmente adoraram. Repetiram a dose usando frutas diferentes. No fim da contas haviam consumido caipirinha de limão, morango, pêssego, caqui, quiuí...

Depois de uma volta pela praia de Copacabana decidiram parar na Dona Empada X. Marisa comeu a famosa empada de siri e teve a grata sensação que poderia morrer naquele momento que morreria feliz. Nunca havia comido empada tão saborosa. Marta, ao contrario, não conseguia ingerir mais nada, fosse liquido ou solido. Estava com um enjoo terrível. Que empada de siri o que. Queria era deitar.

Finalmente estavam de volta ao apartamento. Marisa não via a hora de tomar um banho e cair na cama. Marta pensava o mesmo. Já Dinho estava tranqüilo, sereno e com um sorriso no rosto de menino maroto. Pensando bem, Dinho quase que não bebeu. Marta deitou no sofá e ali ficou. Não percebeu que ao seu lado havia um rapaz de camiseta laranja. Ele chegou ao apartamento 1 hora depois que eles saíram. E não estava sozinho.

- Wow. Que noite. Está tudo rodando.
- Mas é uma sensação boa, não é?
- Como você sabe? Você não bebeu nada.
- Não bebi nada hoje. Mas já fiquei bêbado. Fala se não é bom.
- Bem, para falar a verdade... Espera aí...
- O que foi?
- Que pó branco é esse na mesa?
- Isso? É açúcar.
- Não não não. Eu conheço açúcar. To bêbada, mas nem tanto.
- Me pegou. Isso é cocaína.
- Cocaína ??????
- Isso. Eu pedi para os meus amigos trazerem enquanto estávamos fora.
- Amigos???

3 homens se aproximaram. O de camisa laranja que já estava na sala, sentado no sofá, e outros dois que saíram do quarto de Dinho. Três mal encarados. Marisa não estava gostando nada daquilo. Tentou acordar Marta. Sussurrou no seu ouvido. Nada. Deu uns beliscões. Nada. Começou a bater nela. No rosto, nos braços, nas pernas. Marta finalmente abriu os olhos. E quando viu os rapazes pensou estar tendo alucinações. Até que um deles encostou perto dela e puxou seu cabelo.

- Hey. O que você está fazendo??? 
- Vamos dar as boas vindas.
- Por favor, não nos machuquem.
- Perdeu, gatinha....
- Nãããããoooo....

Dinho se juntou ao comparsa que estava segurando Marta pelos cabelos enquanto os outros dois bandidos seguravam Marisa. Ela não acreditava no que estava presenciando. Sua melhor amiga sendo estuprada. Ela tentou fechar os olhos, mas um dos rapazes gritou pedindo que ela os abrisse. E depois falou que ela seria a próxima. Nesse momento Marisa não conseguia pensar em mais nada a não ser nas causos que sua mãe contava sobre pessoas que eram sequestradas, estupradas, assassinadas. Enquanto isso Marta gritava desesperadamente por socorro, mas seus gritos eram abafados pelo som das marchinhas, cantadas incansavelmente pelos foliões do mundo todo que naquela semana se encontravam ali, na Cidade Maravilhosa. 

"Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamaãããe eu quero mamar. Dá chupeta, dá chupeta, dáááááá chupeeta pro bebê não chorar.”

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

My head hurts

Wow. My head hurts. What happened? I can’t remember anything. Anything at all. What’s this smell? Holly shit. I shitted in my own pants... Laughing... The party must have been pretty wild ‘cause I don’t remember this shit happening. Well, I have to get myself all cleaned up. Uh… Uh… Uh… What the… ? I’m all tied up.

A noise coming from the kitchen

Hey... Screaming... Heeeey... Is there anybody out there? Mike? Miiiiike? Is that you man? Come over here, dude. I could use a hand, you know. I don’t know why but I’m all tied up. Come here and untie me, will ya?

Silence

What are you doing man? Get your freaking ass up here. I ain’t kidding man. Help me out, please. 

Someone shows up

Oh finally… Hey, why are you wearing a mask? Was it a costume party? Gosh, I can’t remember. And my head hurts like hell… Is this your place ‘cause I can’t recognize it. Never been here before. Hey, have you seen Claire? Where is she? Oh man, she’s gorgeous, isn’t she? Think I’m in love man. But don’t tell her, alright? I’ll declare my love for her on X-mas next week. What do you think? Should I do that? Shit, my head really hurts. I know you are not the romantic type, neither am I but I really like her. I’ll invite her to France’s. They serve this special bologna sandwich which is simply divine. She likes eating, you know. I think she’s gonna love it. What do you think?

Silence

What’s wrong with you man? Why don’t you talk? Why do you keep staring at me? Come on man. Say something, goddamn it. And please, take this freaking off. It ain't Halloween. Besides that, it is ridiculous. It makes you look like a sado or something. Hey, where you going? Come back here. Don’t leave me alone? Don’t… shit.

2 minutes later...

There you are. Oh… oh… oh… Why do you have a knife in your hand? Of course, you are going to untie me, right? Sorry. I can’t think straight with this pain in my head.
Hey… hey… Why are you touching me? Jesus man, talk to me and stop touching me. You are supposed to untie not touch. Why are you touching my legs now? What are you doing? Knock it off man. What’s wrong with you? Why don’t you talk? Hey… Why are you cutting my pants? And why in the name of God do you keep touching my legs? Oh no. Hell no. are you… you know… homo? Are you a fag? Are you gay? Goddamn it Mike. You gay? I didn’t see it coming. But you know what? I don’t care. I have a bunch of gay friends. I get along with all of them. Not the way you get along if you know what I mean. You see, I am straight. I like chicks with big boops like Claire. She has those beautiful big boops and I… hey, where are you going?

Crazy bastard. What the hell does he want with that knife. And what is this touching thing all about? Oh sweet Jesus. Please help me. I don’t know what’s going on but I definitely don’t wanna die. I promise you I’ll go to the church every Sunday morning. And I won’t smoke marijuana anymore. It’s gonna be difficult ‘cause I love that shit. You know I do, right? Of course you know 'cause you’re the Lord. So please see me through this and don’t let me die. Let me outta here. 

5 minutes later...

Oh, you’re back. Please, untie me man. This is not funny anymore.  Actually, it is getting less and less funny. I need to clean myself up. I smell shit. Oh no, you and the touching thing again. And now you are marking my thigh with this blue marker. Why are you doing that? Stop with this sick shit. Please. Oh my head hurts. Oh great, you’re leaving again. That’s fucking great.

Oh God. I gotta get outta here. Mike got crazy. But I can’t move. And my head hurts. Jesus. Help me, please. Pleeeeease...

1 minute later...

Where were you, man? What the hell is going on here? Untie me, please. Let me go... Let me... Wait… Is that an axe in your left hand? And in the other hand… what’s that? What the fuck is that? OH GOD... Is that what I think it is??? Is that... Is that... OH MY GOD OH MY GOD OH MY GOD… No no no no no.... You gotta be fucking kidding me... That’s… that’s… CLAIRE'S HEAD... OH MY GOD… Crazy bastard. Why did you do that? You killed her you crazy sick bastard. YOU KILLED CLAIRE… my Claire. Wait... Please, wait...Oh… what you gonna do with this axe, uh? ANSWER ME... Please, please, please... Don’t do that, pleeeease. Don’t that… AAAAAAAAAAHHHHHHH... YOU CRAZY MOTHERFUCKEEEER... I’m gonna kill you. Panting... I swear to God I’m gonna kill you. I’m gonna….. AAAAAAAAAAHHHHHHH !!!!!