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terça-feira, 2 de novembro de 2021

Encontro

5 da manhã. Juliana abre os olhos e se prepara para mais um dia de trabalho. Ela está muito cansada. Sua filha passou a noite inteira acordada e consequentemente ela também. Ela pediu, brigou, gritou até, mas foi tudo em vão. Sua filha estava elétrica e resolveu fechar os olhos somente às 4:00, deixando para ela apenas uma hora de descanso. Ela pensou em não dormir, pois poderia perder a hora. Até que tentou, mas o peso nos olhos foi maior. 

Ela olha para sua filha que dorme como um anjo. É uma das cenas mais belas que já viu.  Valeu a pena ficar acordada a noite inteira. 

Geralmente Juliana toma banho à noite, ao chegar em casa, mas dessa vez ela resolve se banhar de manhã. A água do chuveiro irá ajuda-la a acordar. Ela se troca, coloca o uniforme da empresa, toma um café, checa a bolsa para ver se não esqueceu nada. Abre o portão. Está tudo escuro. Na rua alguns carros, alguns sacos plásticos e pedaços de papel higiênico que o lixeiro deixou pelo caminho na noite anterior. 

Enquanto pensa no uso indiscriminado do plástico e o estrago descomunal que traz ao meio ambiente, ela sente algo gelado no braço. Passados alguns segundos, outra sensação gelada. Dessa vez na cabeça. Olha para o alto. É o começo de uma chuva. 

O espaçamento entre os pingos fica menor. Ela força os passos e logo chega ao bar do Zé onde há um toldo. Ela não gosta do Zé, mas o agradece em pensamento pelo abrigo. Ela então enfia a mão na bolsa a procura do guarda-chuva. Pelo tato não consegue encontrar. Enfia então o rosto dentro da bolsa e nada. Ela precisa ter certeza. Pega o celular, liga a lanterna, olha mais uma vez e mais uma vez se frustra. O guarda-chuva ficou em casa.

Ao pensar onde poderia tê-lo deixado, ela se lembra que a última vez que o viu estava nas mãos da sua filha. Ela estava tentando estudar e sua filha não deixava. Como qualquer outra criança, ela queria brincar. Juliana então pegou o que tinha mais próximo, nesse caso o objeto em questão, e deu para sua filha. Ela conquistou o sossego que precisava naquele momento, mas agora iria molhar o seu tão bem cuidado cabelo.

A chuva aperta. Por enquanto o toldo do bar do Zé a protege, mas só por enquanto. Como  a maré cheia, a chuva vai se aproximando mais e mais, a ponto de começar a molhar o seu pé. E não há nada pior do que trabalhar com o sapato encharcado. Ela, uma pessoa geralmente calma, começa a se irritar, a impacientar-se e olha para o relógio.

- Ai, meu Jesus. Já não bastasse ficar ensopada, vou chegar atrasada ao serviço. 

- Fique tranquila. Vai dar tudo certo.

- Quem falou isso?

Olha para todos os lados e não vê ninguém. Ela se encontra sozinha debaixo do toldo do bar do Zé.

- Não, você não está sozinha.

- Quem está falando comigo? Já vou dizendo que não tenho dinheiro e o meu celular é xing-ling.

- Dinheiro? Mas eu não quero o seu dinheiro e nem preciso do seu celular.

- Ai, meu Jesus. O que...

- Estou aqui.

- Quem está aqui? Quem está falando?

- Eu, Jesus.

- Jesus???? Isso é algum tipo de brincadeira?

- Não é brincadeira. Você me chamou e eu apareci. Bem, tecnicamente eu não apareci, mas...

Ela não acredita no que está acontecendo. Será que ela caiu, bateu a cabeça e agora está ouvindo vozes? Ela não se lembra de ter caído. 

- Não. Você não caiu. Não, você não sofreu nenhum acidente. E não, você não está sonhando...

- Jesus??? É você mesmo???

- Sim, sou eu mesmo.

- Que honra. Que privilégio. Mas...

- O que Eu estou fazendo aqui?

- Isso mesmo. Wow. Antes de eu falar o Senhor já sabe o que eu vou dizer. 

- Pois é. É um dos meus atributos. Bem, eu estou aqui porque você mencionou o meu nome. Em que posso ajudá-la?

- Aaaahhhh... é que começou a chover e...

- Você olhou na sua bolsa e viu que esqueceu o guarda-chuva em casa. 

- Isso mesmo.

- Olhe de novo...

Juliana, ainda anestesiada pelo encontro, pega o celular, liga a lanterna e... lá está o guarda-chuva. 

- Wow. Está aqui. Eu não acredito nisso. Eu olhei a pouco e não... 

- Eu sei. Porém, pode deixar ele aí. Você não irá usa-lo agora.

Imediatamente após as palavras de Jesus, a chuva para, as nuvens se dissipam e o azul do céu começa a aparecer. 

- Wow. Que demais. Eu não acredito no que está acontecendo. 

- Você não é a única, minha filha. As pessoas levam um tempo para acreditar.

- Eu tenho tanta coisa que gostaria de falar com o Senhor.

- Eu sei. Eu também tenho muita coisa para falar com você, mas agora não vai dar.

- Por quê?

- Porque você está atrasada para o trabalho. E a sua chefe não está de bom humor hoje. Melhor não dar motivo. 

Juliana olha para o relógio. Está 15 minutos atrasada, mas se correr pode pegar a perua das 6:00 e assim chegar no horário e evitar uma bronca da chefe. De repente alguém toca no seu ombro. É sua amiga que, assim como ela, trabalha no Shopping Boulevard. As duas se abraçam e durante o trajeto ela vai contando cada detalhe do encontro inusitado.

      * * * * * * * * * * * ** * *

- Meu, esse tempo de São Paulo é maluco.

- O que foi?

- Estava chovendo e de repente, do nada, a chuva parou e abriu um solão num céu de brigadeiro.

- Hmmm.. adoro brigadeiro.

- Nossa, mano. Só pensa em comida.

- Eeeeu? Foi você que falou que vai comprar pão e brigadeiro.

- Tá maluco? Eu disse um solão num céu de brigadeiro.

- Vixi. Ouvi errado então.

- Claro que ouviu. É essa porcaria desse fone que você não tira. Fica o tempo todo ouvindo música.

- Ah, deixa eu com minha música. Não enche o meu saco porque senão...

Paulo não teve tempo de terminar a frase. Uma moto desgovernada o acerta em cheio. Ele vai parar de um lado e o seu fone, que raramente fica longe do seu pescoço/orelha, vai parar do outro lado da rua, todo ensanguentado. 

- Pauloooooooooo.

Mario não sabe o que fazer. O seu melhor amigo está inconsciente na rua. Ele grita de desespero pedindo ajuda e ao longe ele pode ver uma moto caída no chão. O motorista olha para ele com ar assustado. Aparentemente está bem. Ele então levanta a moto, sobe nela, dá partida e foge.

- Volta aqui seu... Volta aquiiiii... 

Mario, um rapaz que muito raramente xinga alguém, começa a usar de várias obscenidades. Ele odeia esse tipo de situação hit-and-run, isto é, a pessoa atropela e foge. 

Ele deixa a sua raiva pelo motorista de lado e volta sua atenção para o seu amigo. Paulo não parece nada bem. Há sangue saindo pelo nariz e ouvidos e um grande roxo pode ser visto no seu braço direito. 

Enquanto ele abraça o seu amigo acidentado, o que é errado pois os paramédicos dizem que não devemos tocar nem mexer nas pessoas, correndo o risco de agravar a condição do atropelado, uma multidão se forma ao redor deles. 

- Alguém aí tem carro??? Alguém pode nos levar ao hospital???

Ninguém se voluntaria pois são todos transeuntes ali. Eles mesmos estavam a pé. Estavam a caminho da escola que não fica muito longe dali. Os dois estavam empolgados, pois era dia de Educação Física, a aula preferida de 8 entre 10 alunos.

- Hey, Paulo. Pauloooo... acorda, mano. Vamos, acorda.

Paulo não se mexe. Está respirando, o que é um alívio, mas não se mexe. 

- Ah, por favor Jesus, não deixa o meu amigo morrer.

- Ele não vai morrer.

Mario toma um susto. Ele escuta uma voz suave e ao mesmo tempo firme. 

- Quem falou isso???

- EU falei.

Mario olha para todos que estão ali, mas não consegue identificar quem falou.

- Não adianta olhar para eles, pois não foi nenhum deles que falou.

- Então quem é que está falando? 

- Quem? Foi você que me chamou e agora pergunta quem?

- Eu te chamei?

- Sim. 

- Quando?

- Quando você pediu para que eu não deixasse o seu amigo morrer.

- Hã? Eu não lembro de... 

De repente Mario fica mudo. Ele se lembra agora.

- Jesus??? É você?

- Sim, em carne e osso, Não, espera. Na verdade estou aqui em espírito. 

- Não acredito. Wow!!! É o Senhor mesmo?

- Bem, até a última vez que chequei, sim.

As pessoas que estão ao redor olham para Mario e não entendem nada. Ele parece estar falando sozinho. Não tem ninguém ali perto dele. Alguns acham que ele foi atropelado também e que deve ter batido a cabeça.

- Jesus, cuida do meu amigo, por favor.

- Fique tranquilo. Ele ficará com alguns arranhões e manchas. Ficará uns dias com dor de cabeça, mas irá sobreviver. O resgate já está a caminho.

- Obrigado, Jesus.

- Não há de que. By the way, muito bonita a amizade de vocês. 

- Ah, o Paulo é o meu melhor amigo.

- Eu sei. Mas faça o seguinte: o mesmo carinho e cuidado que você tem por ele, tenha pela sua irmã. 

- Como assim?

- Não se faça de desentendido. Vocês dois têm brigado muito ultimamente. Aliás, não estão nem se falando.

- Mas... É que... ela me enche o saco. 

- Mario... apenas faça o que estou te pedindo.

- Sim, Senhor. 

- Bom menino.

Ao longe é possível ouvir uma sirene tocando. É a ambulância do SAMU chegando. Mario olha para seu amigo Paulo que nesse momento abre o olho. Mario então começa a contar sobre Jesus.

- Paulo, você não vai acreditar. Eu estava falando com...

- Eu sei. 

- Você sabe?

- Sim. Ele falou comigo também.

Mesmo com os hematomas, arranhões e sangue, Paulo parece estar bem melhor e enquanto aguardam a chegada da ambulância, vão resenhando sobre o encontro que acabaram de ter.

         * * * * * * * * * * * * * * * * 

- Amor, eu não sei se quero fazer isso não.

- CALA A BOCA. Já tamo aqui. Não tem volta.

Ela está tremendo como vara verde. Ela não sabe bem ao certo o que está fazendo ali. Ela sabia até ontem a noite, mas agora de manhã não tem tanta certeza assim.

Aline e o seu namorado Gomes estão na Rua Alves. Eles estão prontos para entrar em uma das casas e roubar o que for possível. Passaram um mês observando a casa e os seus moradores, um casal de médicos e seus dois filhos. O marido sai mais cedo de casa, junto com os meninos. Ele deixa os meninos na escola e de lá vai para sua clínica particular. Já a esposa sai de casa meia hora depois.

A médica acaba de sair. A casa está vazia. É o momento.

- Aline, você vai por trás, pula o muro, desativa o alarme e abre o portão.

- Mas e as câmeras?

- Eu não falei que ia dar um jeito nelas? Pois dei. Conversei com o cara que instalou e que também é responsável pela manutenção. É tudo nosso. Pode ir de boas.

- Amor, estou com uma mau pressentimento. Vamos abortar a missão.

- VAMOS ABORTAR MERDA NENHUMA.

- Solta o meu braço.

- Escuta aqui. Nós vamos entrar nessa casa e vamos fazer a limpa. Eu preciso do dinheiro. 

- Mas tem outras maneiras de conseguir dinheiro. Nós não somos bandidos.

- Já tentei ganhar dinheiro de forma honesta. CANSEI. 

- Mas amor...

- CHEGA DE PAPO. Vai lá para o fundo e pula o muro.

Gomes está alterado. Aline nunca o viu daquele jeito, nem mesmo quando bebia umas a mais. Ele iria roubar aquela casa e ela se arrependeu de concordar com aquilo.

Enquanto caminha para os fundos da casa, o seu celular toca. Ela estava tão nervosa que acabou se esquecendo de colocar no modo avião, como havia combinado com o seu namorado. É o seu irmão. Ela atende e fala baixinho.

- Mario?!!? O que você quer?

- Oi, mana. Tudo bem?

- Mais ou menos. Estou no meio de uma situação aqui.

- Situação? Qual situação?

- Não importa. O que você quer?

- Queria falar com você. Ouvir sua voz.

- Ahhh tá. Está um tempão ser falar comigo e de repente me liga. Do nada. 

- Sim. É que hoje eu tive uma conversa com alguém... Wow. Você não vai acreditar... Eu falei com...

Gomes dá um tapa no braço da Aline, derrubando o celular da sua mão.

- Que merda é essa? Tá falando com quem?

- É o meu irmão.

- Eu não falei para desligar essa merda de telefone?

- Eu sei, mas é que...

- Sem mas.

Gomes pega o telefone do chão, desliga e devolve pra ela.

- Foco. Preciso que você se concentre. 

De forma mais carinhosa agora, Gomes fala com Aline.

- Amor, preciso de você 100% aqui. Depois você fala com seu irmão.

Aline não gostava quando Gomes gritava com ela, mas quando ele usa aquela voz de galã de novela, ela não consegue resistir. Não consegue dizer não.

- Ok. Vamos acabar logo com isso.

Do outro lado da linha, Mario não tem ideia do que está acontecendo. Não sabe o que sua irmã está fazendo nesse exato momento. Não tem a menor ideia sobre qual situação ela está metida.

Aline está no fundo da casa. Na sua frente está o muro. É alto, mas escalável. Ela olha e vê que tem condições de subir e pular para dentro. Porém, ela fica ali pensando alguns segundos sobre o que está acontecendo.

- Jesus do Céu!!! O que estou fazendo?

- Coisa boa que não é.

Aline se assusta. Olha para o terreno atrás dela e não vê ninguém. 

- Quem está ai? Quem falou comigo?

- EU.

- Eu quem?

-  Bem, você me perguntou o que está fazendo aqui e eu respondi que coisa boa não é.

- Isso é uma pegadinha?

- Não. É real.

- Jesus???? É você???? De verdade????

- Sim. Sou eu!!! De verdade!!!

- Mas cadê o Senhor? Não consigo te ver.

- Bem, ninguém consegue me ver. Ainda não. Mas estou aqui.

- Wow. Minha mãe não vai acreditar. Ela te ama. Ela fala sobre o Senhor todos os dias.

- Eu sei.

- E o meu irmão Mario então. Ele vai pirar.

- Eu falei com ele hoje. 

- O Senhor falou com o Mario???? Wow. Isso é demais. Mas, o que o Senhor está fazendo aqui?

- Você mencionou o meu nome. Aqui estou. Bem, acho que agora quem tem que perguntar sou eu. O que você está fazendo, Aline? Roubando uma casa. Que coisa feia.

- Eu sei que não é correto.

- Então por que está fazendo isso se é errado?

- Foi o meu namorado que me obrigou a...

- Pera pera pera. Ele colocou uma arma na sua cabeça e te fez estar aqui hoje?

- Não. Mas...

- Você está aqui por sua própria vontade. Você poderia ter dito não pra ele. Mas você disse sim, logo...

- Wow. Quando o Senhor coloca dessa maneira...

- Bem. Não é tarde para fazer o que é certo. Fique aqui.

Ao longe é possível ouvir uma sirene.

- É a polícia??? E agora? Vou ser presa.

- Calma. Não é a polícia. É apenas a ambulância do SAMU.

- Ufa.

- Nesse exato momento, o seu namorado está fugindo achando que é a polícia.

- Fugiu e me deixou aqui??

- Exatamente. 

- Filho de uma...

- Olha a boca suja.

- Perdão, Jesus. 

- Está perdoada. Bem, agora quero que você vá pra casa e pense em tudo que aconteceu aqui. Pense no seu relacionamento com o seu namorado. Vale a pena?

- Acho que não.

- Bem, eu também acho que não. Ah, e volte a falar com o seu irmão. Ele te ama e sei que você também o ama. Está na hora de vocês dois pararem com essa bobagem.

- O Senhor tem razão.   

Aline fecha os olhos e respira fundo.

- Jesus, posso perguntar...

De alguma maneira, Aline consegue perceber que Jesus não está mais ali. Se foi. Ela então começa a andar. Vai pra casa. Tem muita coisa para falar com sua família, principalmente com seu irmão. Principalmente sobre esse... 


ENCONTRO

    



domingo, 9 de maio de 2021

Alienígenas


Qual palavra podemos usar para descrever MÃE?

Usando apenas uma palavra é simplesmente impossível. Por isso que as pessoas geralmente usam várias, como por exemplo:

AMOROSA, CUIDADOSA, BONITA, COMPREENSIVA, TRABALHADORA, PACIENTE, FELIZ, IMAGINATIVA, DINÂMICA, CORAJOSA, ROMÂNTICA, AGRADÁVEL, APAIXONADA, FOFA, MARAVILHOSA, PROTETORA, INTELIGENTE, GENEROSA, FORTE, GENTIL, DOCE, DETERMINADA, INSPIRADORA, FOCADA, FIEL, SAGRADA, AMADA...

Pode escolher uma ou mais das palavras acima. Ela não será suficiente para descrever essa criatura chamada MÃE.

Eu passei um tempo pensando numa palavra que pudesse chegar próximo e depois de muito pensar, a palavra escolhida é ALIENÍGENA SUPERPODERSA.

Eu sei, eu sei. É um nome estranho e muito provavelmente fui influenciado pelos últimos filmes de super-heróis que assisti. Mas pensa bem em tudo que uma mãe representa e em tudo que uma mãe faz. Tenho quase certeza de que ela não é desse planeta.

Ela não é um ser humano. Pelo menos não um ser humano normal.

Pensa comigo. Um ser humano normal...

não ama como ela;

não cuida como ela;

não se importa como ela;

não perdoa como ela;

não luta e acredita nas suas lutas como ela;

Esse alienígena superpoderoso pode ver e antecipar TUDO.

 

Antevisão

Lembro uma vez que estava, como qualquer outra criança, correndo de um lado para outro. Eu, os meus irmãos e amigos. Já estávamos fazendo isso há mais de 10 minutos e estava tudo bem, tudo tranquilo. Todos nós sorrindo, felizes da vida.

De repente escuto minha mãe, com aquela visão profética, dizer: ‘Edinhoooo. Pare de correr, menino. Você vai caiiiir. Edinhooo.’ Não me lembro quanto tempo demorou. Acredito que de 3 a 5 segundos. E lá estava eu, caído no chão com a mão no joelho, olhando para minha mãe e chorando. E ela com aquele ar superior dizendo, ‘Eu falei que ia cair, não falei? Eu disse.’

 

Know-it-all

Ela sabe...

quando o filho está triste ou feliz;

quando ele está nervoso ou calmo;

quando ele está mentindo ou dizendo a verdade;

quando ele está apaixonado;

quando ele está sofrendo por amor;

quando ele está escondendo algo;

quando ele está bem ou em apuros;

quando ele quer conversar ou somente ficar em silêncio.

 

Sacrifício

Uma mãe quer o melhor para o seu filho e fará de tudo para vê-lo bem.

Ela está disposta até a se sacrificar, fazer o que for preciso para salvar sua prole.

Ela doará qualquer órgão se necessário for.

Ela pulará num rio para salvar seus filhos, mesmo ela não sabendo nadar.

Se tiver que pular na frente de um carro, bem... ela pulará. E não importa que seja um fusquinha ou uma carreta.

Ela fará um escândalo no hospital caso seu filho precise de cuidados imediatos.

Ela passará a noite inteira no hospital e só sairá de lá quando o seu filho demonstrar sinais de melhora.

Porém, quando ela vê-lo sorrindo de novo, brincando, correndo pela casa toda, ela pensará: ah, valeu a pena.

 

É o Meu filho

Eu costumava pensar que uma mãe era um ser perfeito, mas estava errado. Eu aprendi que esse ser, que já dissemos não ser desse planeta, sofre de miopia.

Na sua visão ela tem os filhos mais lindos e maravilhosos do mundo, não importando se são gordos ou magros, altos ou baixos, negros ou brancos.

Esses detalhes não importam. São apenas aparências.

O meu é o melhor filho do mundo.

E se você for corajoso o suficiente para discordar, prepare-se para uma guerra. E prepara-se para perder.

 

Todo esse amor, cuidado, carinho e remissão me fazem pensar que Deus tem um lugar no céu não apenas para os seres humanos.

Tenho absoluta certeza de que Ele também tem um lugar reservado, um cantinho especial, para esses ALIENIGENAS SUPERPODEROS.

 

Um Feliz Dia para as mães de primeira viagem e que embarcaram recentemente nesse universo maternal e para aquelas que já estão há um tempinho nessa estrada.

E uma menção honrosa a minha tia Amélia e a querida Dorinha, duas mães maravilhosas que foram fazer companhia a minha mãezinha lá naquele cantinho que Deus tem reservado para elas.

Elas se foram, mas as lembranças nunca nos deixarão.

 

HAPPY MOTHER’S DAY

2021

segunda-feira, 8 de março de 2021

Dia Internacional da Mulher

 


A bíblia nos ensina que o mundo era vazio e sem forma, e que Deus então resolveu mudar isso, criando as estrelas e todos os astros celestiais, os mares, a terra, as plantas e arvores, os animas.

Ela nos ensina também que Deus então criou o homem para que pudesse cuidar do planeta. E Deus se alegrou do que criou. Porém, Ele percebeu que todos os animais tinham o seu parceiro.

Porém, o homem não tinha ninguém. Foi então que Deus resolveu criar uma auxiliadora, uma ajudadora, uma parceira, alguém para ficar ao lado do homem. Deus então resolveu criar a mulher.

Eu não estava lá e a bíblia não nos relata isso, mas acredito que Deus deve ter olhado para a mulher e pensado: que obra maravilhosa que acabo de criar. Ela é bela. Ela é perfeita.

Depois de um tempo, onde eles vivem superfelizes, entra a serpente na história, oferecendo o fruto proibido para Eva, que depois oferece para Adão, e juntos foram expulsos do Jardim do Éden.

Muita coisa, mas muita coisa mesmo, aconteceu desde esse relato bíblico até os dias de hoje. Muitas pessoas chegam a dizer que o homem não é mais o mesmo, assim como a mulher.

Hoje o homem faz coisas que seria impossível de imaginá-lo fazendo se olharmos há algumas décadas. Por exemplo: hoje o homem cozinha!  Você irá dizer, ‘mas tem que cozinhar mesmo’. Concordo, mas era algo que não fazia parte do dia a dia do homem.

Outra coisa que não fazia parte, mas neste caso estamos falando da mulher, era vê-la saindo de casa cedo para trabalhar. Esta era uma prerrogativa do homem. Era sua função. Mas claramente não mais.

Podíamos passar horas aqui usando exemplos para os dois lados, mas não iremos fazer isso. Não é o nosso foco. O que está em questão aqui é a mulher. Sim. É VOCÊ QUE IMPORTA.

Sabe por que a mulher hoje não é a mesma de décadas atrás? É porque antigamente a mulher ficava muitas vezes em segundo plano, atrás do homem. Mas hoje ela está ao lado, e se bobear algumas vezes à frente. 

Hoje a mulher é VISÍVEL. Hoje as pessoas prestam atenção no que elas têm a dizer. No que elas têm a mostrar. Hoje elas fazem e acontecem. Hoje elas têm voz que pode ser ouvida aos quatro cantos.

O que é mais legal: a essência continua lá.

Apesar do cuidar do lar, da educação das crianças, do trabalhar (fora, ou por home office), a mulher continua vaidosa, meiga, sensível e carente (sim, quem nunca?). Ela continua precisando de cuidados, de amor, de atenção.

Hoje a mulher é aquilo que Deus pensou pra ela e muito mais. 

Com o tempo ela evoluiu, conquistou territórios, adentrou em lugares nunca antes explorados por elas. Aos poucos a mulher vai ganhando mais e mais espaço. Melhor, vai conquistando.

Quer um exemplo? 

No dia 03 de março de 2021 a paranaense Edna Alves se tornou a primeira mulher a apitar um jogo entre Palmeiras e Corinthians na história do derby mais importante de São Paulo. E a sua performance foi muito elogiada.

Este é um marco histórico para o futebol, um lugar onde sabemos que há muito machismo. Porém, aos poucos, as mulheres vão se infiltrando como árbitras, jornalistas, comentaristas, apresentadoras de programas etc.

Será que Deus tinha essa visão quando criou a mulher? Claro que sim. 

Deus é perfeito.

E é por isso que digo...

Parabéns mulheres por esse dia tão especial.

Esse dia tem sim que ser lembrado e celebrado, pois vocês mulheres fazem a diferença na vida dos homens e do planeta.

O mundo é mais belo por causa de vocês. 

E quando digo belo, não me refiro apenas a beleza externa, mas também a beleza interna, aos sentimentos.

No Dia Internacional da Mulher, quem celebra somos nós homens, pois temos o privilégio de ter ao nosso lado pessoas tão especiais, que tenho certeza alegra não somente o nosso coração, mas o coração do Criador.

08-03-2021

DIA INTERNACIONAL DA MULHER
 


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

20 de Novembro



1.

- Bom dia. Tudo bem?

- Bom dia. No que posso ajudá-lo?

- Meu nome é Gabriel e eu trabalho para o governo.

- Vixi! Valha-me Deus. Olha moço, eu não paguei a conta de luz porque esse mês as coisas apertaram por aqui, por causa da Covid, mas prometo que...

- Calma, minha senhora. Eu não trabalho para a Enel. Aliás, a Enel, Ente nazionale per l'energia elettrica, que em português significa Agência Nacional de Eletricidade, é uma empresa privada italiana com sede em Roma que comprou 70% das ações da Eletropaulo em junho de 2018, se tornando assim a líder de distribuição de energia elétrica no Brasil.

- Wow. Como você é inteligente.

- Obrigado, minha senhora. Na verdade, eu sou uma pessoa curiosa.

- Eu também, rapaz.

- Sério?

- Sim. Por exemplo, eu sou muito curiosa em saber o que acontece na vida dos outros. Kkkkkk... adoro uma fofoquinha. 

- Ah, minha senhora. Esse tipo de ‘curiosidade’ eu não tenho.

- Seu bobo, não sabe o que está perdendo.

- Aí é que a senhora se engana. Sei muito o que estou perdendo.

- Pois bem, moço inteligente.

- Mais uma vez, obrigado pelo inteligente.

- Já que você, graças a Deus, não veio cortar minha luz e assim eu posso assistir quem da Fazenda será eliminado hoje, e vou confessar que votei para a Jojo Todynho continuar, o que você quer aqui?

- Eu sou do departamento responsável pelo Censo 2020.

- Celso? Mas que Celso? Eu não conheço nenhum Celso.

- Não, minha senhora. Não é Celso. É Censo.

- O que é isso?

- O censo ou recenseamento demográfico é um estudo estatístico referente a uma população que possibilita o recolhimento de várias informações, tais como o número de homens, mulheres, crianças e idosos, onde e como vivem as pessoas. Esse estudo é realizado, normalmente, de dez em dez anos, na maioria dos países. Segundo a definição da ONU, "um recenseamento de população pode ser definido como o conjunto das operações que consistem em recolher, agrupar e publicar dados demográficos, econômicos e sociais relativos a um momento determinado ou em certos períodos, a todos os habitantes de um país ou território".

- Nossa, moço. Você é bom mesmo, hein?

- Obrigado. A senhora teria uns minutos para responder algumas perguntas?

- Claro. Quer entrar? Assim eu passo um cafezinho enquanto você faz as perguntas.

- Seria ótimo. Com licença.

 

Dentro da casa...

 

- Podemos começar?

- Claro.

- Vamos começar pelo começo. O nome da senhora?

- Mirtes.

- Nome completo, por favor.

- Mirtes Araújo Pereira da Silva Filho.

- Filho? Mas a senhora é mulher.

- Eu sei. Diga isso para o meu pai e para o rapaz do cartório.

- A senhora é casada?

- Por quê? Gostou do que viu, né?

- Olha, não posso dizer que não gostei. A senhora é uma mulher muito bonita. Mas a pergunta tem a ver com o questionário. A senhora é casada?

- Juntada conta como casada?

- Sim.

- Então eu sou casada.

- Vocês têm filhos?

- Sim. Temos 3 filhos.

- Ok. Tem animais de estimação?

- Você não viu os meus cachorrinhos quando passou pelo quintal?

- Vi sim. São adoráveis. São 3 no total?

- Não, são cinco. Mas dois estão na casa da minha mãe.

- Quantos anos a senhora, seu marido e filhos têm?

- Pergunta um pouco indelicada, não acha?

- Me perdoe, minha senhora. Preciso perguntar.

- Eu tenho 45, meu marido tem 50, e meus filhos têm, respectivamente, 20, 15 e 10.

- Ok. E são todos brancos como a senhora?

 

Silêncio...

 

- Como é que é?

- Seu marido e filhos, eles são brancos como a senhora?

- Brancos???? Como a senhora???? Olha pra mim, rapaz? Você acha que essa preta linda aqui é branca?

- Minha senhora, com todo o respeito do mundo, a senhora não é preta. Aliás, não podemos usar essa palavra, mas sim afrodescendentes, ou afro-brasileiros, ou brasileiros negros.

- Mas por que afro?

- Tem a ver com os africanos.

- Que mané africanos. Eu sou filha de baianos mesmo. Sou baiana-brasileira. E meu marido é cearense-brasileiro, e meus filhos são sampa-brasileiros. E NÓS SOMOS PRETOS. Que mané negros.

- Minha senhora, em primeiro lugar parabéns pelo nós somos. Fui em várias casas e as pessoas dizem nóis é...

- Obrigada.

- E em segundo lugar, eu não tenho aqui no meu formulário o termo preto, e sim negro.

- Esse formulário está errado.

- E em terceiro lugar... a senhora é branca.

- Moleque, você é educado, inteligente e até bonitinho, mas se me chamar de branca novamente...

- Qual o problema de chamar a senhora de branca?

- EU NÃO SOU BRANCA. EU NÃO... Meu Deus, a água do café.

 

Depois do café pronto...

 

- Eae. Como está o pretinho?

- Pretinho????

- Ééééé. O café? Como está?

- Uma delícia. Obrigado.

- Então rapaz inteligente, o café é preto ou negro?

- O café é preto, porque a cor dele é preta.

- Então, se o café é preto porque a cor dele é preta, logo eu sou preta porque minha cor é preta.

- MINHA SENHORA, A SENHORA É BRANCA.

- EU SOU PRETA.

- A SENHORA É BRANCA.

- QUER SABER, SAIA DA MINHA CASA.

- EU VOU SAIR. E VOU COLOCAR AQUI QUE A SENHORA E TODA A SUA FAMÍLIA É BRANCA.

- Quem você chamou de branca aí?

 

O rapaz olha para trás. É o marido de Mirtes. Um negão 4x4. Ou seria um preto 4x4? Ou um afrodescendente 4x4? Ou um afro-brasileiro 4x4?

 

- Você chamou minha mulher do que?

- Bran.... bran... branca.

- Retire o que você disse. Agora.

- Mas...

- Sem mas. Retire o que você disse sobre minha pretinha. Agora.

- Não posso.

- Por que não?

- Porque ela é branca. Só por isso. Não posso ir contra o que estou vendo.

 

Essa conversa demorou boas 3 horas e Gabriel, o rapaz do censo, saiu da casa sem saber qual era a cor da mulher. Ele deixou um ? no espaço da cor.

Dali foi direto para casa, e lá se afundou em livros ao mesmo tempo que consultava a Internet para saber se a pessoa podia ser chamada de negra ou preta.

Ele mesmo começou a ter dúvidas sobre sua própria cor. Sua mãe dizia que ele era moreno, mas... moreno é cor? E pardo, é cor?

Quanto mais lia, quanto mais pesquisava, menos sabia, menos se convencia.

Decidiu que não iria sair dali sem uma reposta.

Dormia no quarto.

Comia no quarto.

Vivia no quarto.

No início sua mãe levava comida e bebida para ele. Mas depois que ela veio a falecer, começou a pedir comida pelo ifood.

Como era funcionário público, manteve o emprego e passou a trabalhar de casa (home office).

Diz a lenda que Gabriel nunca saiu do seu quarto.

Ficou enfiado ali por dias, meses, anos, décadas.

Escreveu teses, teorias, histórias fictícias, bem como histórias reais.

Mas nunca, nunca mesmo, chegou perto de responder à pergunta que o perseguia desde o dia que conheceu dona Mirtes.

Preta ou negra?

E com essa dúvida não respondida, veio a falecer.

E fez questão de que colocassem na sua lápide:

“Aqui jaz um homem muito inteligente, mas não o suficiente para diferenciar o preto do negro do branco”.


 


 

2. 

- Oi, amor. Voltei.

- Eba. Trouxe o meu danone.

- Vixi. Esqueci.

- Tá de sacanagem comigo, né?

- Claro que estou. Toma aqui o seu danone.

- Beleza, amor. Sabia que podia contar com você.

- E como você se comportou muito bem na casa da minha mãe, sendo educado com ela, ouvindo suas histórias...

- Como assim me comportei bem? Eu sempre me comporto bem. Eu adoro sua mãe.

- Menos, amor. Sei que você não suporta ficar perto dela.

- É mesmo? Tá bem na cara assim?

- Você não consegue disfarçar, mas... como estava falando antes de ser interrompida... Você mandou muito bem, logo merece uma recompensa.

- Recompensa? Hmmm...

- Quieta o facho. Não é desse tipo de recompensa que estou falando.

- Aaahhhh....

- Como recompensa, eu comprei um pacote de BIS pra você, pois sei que você adora.

- BIS???? Uhuuuuu... comprou o preto, né?

- Como?

- Você comprou o preto, o BIS preto?

 

Silêncio.

 

- Xiiiiii... que cara é essa? Falei alguma coisa errada?

- Sim, disse... BIS... BIS... BIS...

- Fala, muié. Desembucha.

- PRETO. VOCÊ DISSE BIS PRETO.

- Calma. Não precisa gritar.

- Desculpa.

- Mas, voltando ao BIS, está errado? Ele não é preto?

- Sim, mas não falamos mais preto e sim escuro.

- KKKKKKK.... KKKKKKK...

- Albertoooo... para de rir.

- Desculpa, amor. Mas.... KKKKKK... BIS escuro. Que merda é essa?

- Não podemos mais falar preto. É racismo. Temos que dizer escuro.

- Tá maluca???

- Não. A própria empresa que, por medo de ser processada, mudou o nome de BIS preto para BIS escuro.

- Mas, e o BIS branco. Mudou também?

- Sim, agora é BIS claro.

- KKKKKK... BIS CLARO... KKKKKKK...

- Albertooooo...

- Desculpa, amor. Eu não aguento. Por isso eu vou repetir a pergunta, que é muito profunda e que fiz a alguns minutos.

- Tá. que pergunta?

- QUE MERDA É ESSA?

- São os novos tempos. Ah, e quando você quiser um mix, você irá pedir um BIS escuro e claro.

- Eu não acredito no que estou ouvindo.

- Pois é, meu amor.

-AAAAAAHHHHHH!!!!

- O que foi?

- Eles têm BIS lá que se chama BLACK. BIS BLACK. E aí? Hein? Hein?

- Esse não tem problema. É em inglês.

- Aff... Quer saber, esse papo deu fome. Passa o meu preti... digo, escurinho aí.

- Escurinho, não. Escuro. Falar no diminutivo passa uma ideia pejorativa.

- Quem disse? A empresa? Não vai me dizer que...

- Não, essa ideia é minha.

- Aaahhh, amor. Vai te cata. Passa o meu pretinho aqui. E com danone fica muito mais gostoso.

 

 

 

 

3.

- Uhuuuuuuuu!!!

- Nossa. Que alegria é essa?

- É hoje, meu. O dia mais esperado do ano.

- Mas hoje não é meu aniversário.

- O engrançadão, não estou falando do seu aniversário. Estou falando do dia que o mundo todo aguarda. A data é tão especial que as pessoas marcam na folhinha para não esquecerem. Todo mundo só fala sobre esse dia. O pessoal da TV, do rádio, dos sites.

- Perae. Estamos em qual mês?

- Novembro.

- Ué, o Natal não é em novembro.

- E quem está falando do Natal?

- Você. A data mais importante do ano é o Natal.

- Que mané, Natal.

- Tá falando do que então?

- Da Black Friday.

 

Silêncio

 

 

 

Não. Você não está errado. A terceira história não foi concluída.

Os dois amigos, que estavam conversando sobre a Black Friday, passaram horas discutindo.

Não, eles não estavam discutindo sobre as melhores ofertas ou Black Fraude, mas sim o termo em si.

Algumas lojas retiraram o termo Black Friday por acharem que há uma conotação racista na palavra black. O que é engraçado pois o termo não tem nada a ver com raça.

Poderia explicar aqui, mas como não dá para resumir (a história da origem do termo é um pouco longa), vou deixar que você, caro leitor, pessoa inteligente e curiosa, pesquise o porquê.

Bem, você deve estar se perguntando o motivo desses diálogos e temática.

É simples de responder.

No dia 20 de novembro celebramos o Dia Nacional da Consciência Negra.

Por que essa data?

Porque nesse mesmo dia, mas no ano remoto de 1695, morria Francisco Nzumbi.

Francisco nasceu em 1655 e com o passar dos anos ficou conhecido como Zumbi dos Palmares.

Palmares era o maior dos quilombos (local escondido, geralmente no mato, onde se abrigavam escravos fugidos).

Mostra a história que foi traído por um dos seus principais comandantes, Antônio Soares. 

Foi morto, esquartejado e sua cabeça foi cortada e exposta na praça do Carmo, em Recife.

Zumbi é celebrado em todo o país como um dos maiores e mais importantes líderes contra a escravidão no Brasil.

Voltando ao ano de 2020, um dia antes da comemoração do Dia da Consciência Negra, um ato hediondo aconteceu numa rede de supermercados francesa, o Carrefour. O que, cá pra nós, não é novidade uma vez que eles estão, vez por outra, envolvidos com cenas e situações desastrosas e polêmicas.

Em Porto Alegre, local onde ocorreu o fato, dois homens espancaram um outro homem até a morte. O nome da vítima é João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos.

O fato por si só já é horrível. Porém, um detalhe deixou o caso em evidência no Brasil e no mundo, fazendo com que até o 7 vezes campeão da Fórmula 1, o britânico Louis Hamilton, postasse sua solidariedade à família da vítima.

Mas qual fato é esse que mobilizou as redes sociais e as emissoras de televisão?

O fato de que a vítima era negra.

“Homem negro é espancado até a morte em supermercado do grupo Carrefour em Porto Alegre”.

Essa foi a manchete de quase todos os jornais, sites, e blogs do Brasil.

Desnecessário dizer que esse foi o tema de quase todos os programas de TV (aberta e paga).

Pessoas se questionando o que levou os envolvidos a cometer tal crime, a não ser racismo.

Um grupo de pessoas contra o racismo dizendo que se a vítima fosse um homem branco não teria sido espancado.

Um outro grupo dizendo que o caso só virou um pandemônio porque usaram a palavra negro na manchete. E usaram de propósito, só para chamar a atenção.

Pessoas dizendo que o caso era parecido com o que ocorreu nos Estados Unidos com George Floyd. Um negro que foi morto por asfixia por um policial que ficou durante vários minutos com o seu joelho no pescoço dele.

Outras pessoas dizendo que brancos morrem tanto quanto negros, mas que a mídia não fala sobre isso pois não dá audiência.

No final das contas, fica a pergunta: foi um crime racial?

Eu creio que sim. As evidências apontam para isso.

Outra pergunta: há racismo no Brasil? 

Evidente que sim. Só uma pessoa muito inocente para achar que não, não é mesmo vice-presidente Mourão?

Mas o que me chamou a atenção não foi a cor da pele da vítima, mas sim a violência dos seguranças.

A vítima já estava mobilizada. Não era necessário continuar espancando-a. Aliás, não era necessário nem começar a espancar.

O correto seria tentar acalmá-la, entender o que estava acontecendo, chamar o gerente da loja, e nunca, NUNCA, começar a socar a vítima, levando-a a óbito.

O despreparo das pessoas que trabalham nesses estabelecimentos e que têm a responsabilidade de manter a ordem é gigantesca.

É preciso que as autoridades fiscalizem com mais rigor as empresas de segurança.

Precisam verificar quem tem capacidade para prestar tais serviços.

A violência nunca dever ser usada, a não ser em casos extremos. O que parece que não era o caso. João Alberto já estava claramente imobilizado, não resistindo mais. Porém, os seguranças continuavam batendo.

E o mais triste. Uma moça, fiscal do supermercado, filmava a barbárie enquanto a vítima era espancada. Lamentável.

Muito se usou a palavra racismo. Você sabe o que significa?

De forma bem simples e objetiva: Racismo – discriminação e preconceito (direta e indiretamente) contra indivíduos ou grupos por causa de sua etnia ou cor. 

Racismo existe no Brasil e no mundo.

Há racismo de brancos contra negros; de negros contra brancos; de brancos contra brancos; de negros contra negros; de ocidentais contra asiáticos; de asiáticos contra ocidentais; de paulistas contra nordestinos; etc...

Há racismo para todas as cores e etnias e raças.

E não há perspectiva de mudança. É triste, mas é verdade.

O problema não está no externo (cor da pele), mas no interno (cérebro).

O ser humano é um bicho complexo. Nem Freud explica.

Jesus Cristo nos deixou uma grande lição quando perguntado qual era o maior dos mandamentos.

Ele disse que são dois: amar a Deus acima de todas as coisas e amar ao próximo como a ti mesmo.

O que Ele quis dizer com amar ao próximo como a ti mesmo?

Simples.

Eu me amo. Logo, eu devo amar ao meu próximo.

Eu quero o melhor para mim. Logo, devo buscar o melhor para o meu próximo.

Agora, quem é o meu próximo?

É toda pessoa que cruza o meu caminho.

E quando falamos toda pessoa, estamos nos referindo a brancos, negros, asiáticos, paulistas, cariocas, nordestinos...

Pessoas de todas as cores e etnias.

Amar talvez soe muito forte para você. Ok. 

Faça o seguinte. Troque amar por fazer o bem. 

Não faça e nem queira o mal para ninguém, independente da cor da pele.

Que nesse Dia da Consciência Negra você possa parar e refletir sobre como tem sido as suas ações com as pessoas que têm a cor da pele diferente da sua.

Que nesse Dia da Consciência Negra você possa parar e refletir sobre como tem sido as suas ações com as pessoas que têm a cor da pele igual a sua.

Melhor ainda...

Que nesse Dia da Consciência Negra você possa parar e refletir sobre como tem sido suas ações com as pessoas.

FELIZ DIA DA CONSCIÊNCIA