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sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Feliz Dia

 


O ano é 2100 e o Brasil é um caos. Não há médicos para atender os pacientes; não há advogados para defender os clientes; não há arquitetos para desenhar novos prédios; não há administradores para cuidar das cidades. 

O que há é uma falta de profissionais em todas as áreas possíveis e imagináveis.

Tudo começou quando os professores se rebelaram como nunca haviam feito na história do Brasil e do mundo. Eles decidiram que iriam cruzar os braços enquanto as condições nas escolas não melhorassem.

No princípio as autoridades acharam que eles estavam blefando, mas depois de um mês sem aulas eles entenderam que o negócio era sério.

A greve iniciou-se numa pequena escola numa pequena cidade do interior de São Paulo e logo foi tomando proporções herculanas. Mais e mais escolas foram aderindo ao movimento e quando os governos municipais, estaduais e federal perceberam, já era tarde. O Brasil todo estava parado.

Intermináveis reuniões foram feitas, porém nenhuma decisão foi tomada. Os professores exigiam melhores salários e condições de trabalho, bem como uma grade curricular que atendesse as reais necessidades das crianças (ensino fundamental), adolescentes (ensino médio) e adultos (universidades).

Aqueles que iniciaram o movimento acharam que em dois, no máximo três meses tudo já estaria resolvido. Ledo engano. A greve entrava no seu terceiro ano e o seu fim parecia ainda muito distante.

No início as escolas foram fechadas, mas com o passar do tempo e com a radicalização das ideias – as pessoas cada vez mais tinham menos paciência – algumas pessoas passaram a colocar fogo nas escolas. Começou com uma, depois outra, depois mais outra, e logo milhares de escolas sucumbiam em labaredas infernais.

Governos de outros países tentaram intervir oferecendo ajuda ao governo federal, porém o orgulho patriótico falava mais alto, fazendo com que tais ofertas fossem ignoradas.

Passados 20 anos de impasse, não havia mais diálogos e o pior, não havia mais professores. E sem eles, não havia mais novos profissionais, pois quem iria ensinar os futuros médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, administradores e até mesmo professores?

A última geração de pessoas que teve o privilégio de estudar, de ter momentos inesquecíveis ao lado dos seus amigos, começando na creche, passando pelo ensino fundamental e médio e terminando numa universidade, estava no fim dos seus dias.

Como parte do ciclo da vida, as pessoas com conhecimento técnico e profissional estavam morrendo. Estavam partindo desse mundo e junto delas ia-se embora todo o conhecimento adquirido por séculos. E o rito de aprender e ensinar morria com aquela geração.

O Brasil voltava a era da escuridão.


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Calma. Isto é apenas uma peça de ficção científica. Qualquer semelhança com a realidade é mera (será?) coincidência.

Graças ao bom Deus o sistema educacional do Brasil ainda existe e resiste, independentemente do viés político de cada governo.

Aliás, educação não deveria ter viés político. Educação é educação e ponto final. Mas todos sabemos que não é assim.

E por falar em existência e resistência, se tem uma classe que, apesar das intempéries, continua firme e forte, é a classe dos professores.

Apesar do salário e condições indignas, o professor segue fazendo o seu trabalho dignamente,  com afinco e amor. 

Num país onde cada vez menos as pessoas pensam em seguir tal profissão, ainda é possível encontrar alguns poucos malucos que decidem se dedicar a tarefa árdua de ensinar.

Árdua sim, mas também gratificante, pois não há nada que pague o olhar esfuziante de alguém que aprendeu algo novo.

Fica aqui os meus parabéns a todos que de alguma forma transformam a vida de uma pessoa, que mudam a história de outra e que de quebra acabam mudando a história do país.

PARABÉNS PROFESSORES

 

 

 

 

domingo, 5 de abril de 2020

MAIS TARDE



Estou no trabalho e, como sempre, não olho para os lados. Gosto de me concentrar ao máximo, pois distrações não levam a lugar algum. Ao contrário, te tiram da rota e uma coisa que não posso fazer agora é me desviar do meu objetivo principal: terminar o projeto.

No meio da página final recebo uma notificação de e-mail. É de uma amiga minha que vive na China. Sempre que pode, ela me manda informações sobre produtos mais baratos. Não sou um consumidor ferrenho, porém sempre que vejo que posso economizar um bom dinheiro, eu encomendo algo com ela.

Ignoro a notificação.  Estou atrasado com o projeto e tudo por culpa do perfeccionismo que herdei da minha mãe. E o engraçado era que eu costumava reclamar com ela sobre essa maldição. Em tudo ela sempre levava mais tempo do que os outros. Chegava a ser aborrecedor.

Certo dia, cansada dos meus chiliques, resolveu me contar a história do dia que me concebeu. Perfeccionista que é, preparou tudo de forma detalhista. Não queria nada fora do lugar. Sim, é exatamente o que você está pensando. Foi na casa dela, do jeito dela, na hora que ela quis.

Ela pensou em tudo, até na forma como iria seduzir o meu pai, o que não era muito difícil. Diz ela que colocou o seu melhor vestido, passou o perfume que deixava o meu pai enlouquecido e fez o prato predileto dele: lasanha. Ele caiu como um patinho. Até os dias de hoje ele acha que sou um acidente de percurso.

Estou quase no fim do projeto quando a notificação do e-mail começa a piscar freneticamente, o que significa que o assunto é urgente. O que será que minha amiga quer falar tão desesperadamente que não pode esperar um pouco? Será que alguém havia morrido?

Salvo o projeto, algo que nunca mais deixei de fazer depois que tive uma péssima experiência no nosso maior cliente, e vou até onde fica a máquina de café. Preparo o meu expresso, pego um pedaço de bolo de aniversário da Pamela que sobrou do dia anterior e volto para minha mesa.

Abro a caixa de entrada dos meus e-mails e clico na mensagem da minha amiga.É um vídeo. No início penso que é um daqueles trailers de filmes onde há um vírus devastador que acaba com metade da população do planeta. O enredo do vídeo é sempre o mesmo.

Ruas vazias... Hospitais lotados... O vídeo mostra pessoas chorando, pessoas morrendo, jornalistas, cientistas, médicos e supermercados. Todo o cenário que encontramos nos filmes produzidos para nos assustar. E como dizem, quem já assistiu a um filme já assistiu a todos.

Fico esperando a parte final pra saber quem são os atores, quem é o diretor, quando minha amiga aparece na tela. Ela está bem diferente de quando a vi pela última vez num vídeo onde ela mostra as belezas da cidade. Ela está usando uma máscara, mas tudo bem porque ela é enfermeira.

Os seus olhos estão vermelhos como se estivesse chorando a um bom tempo. Atrás da máscara sua boca se mexe, mas não ouço nada. Aliás, desde o início do vídeo eu não ouço nada. Será que ela me enviou um vídeo sem áudio? Duvido muito. Procuro o ícone do auto falante e clico. Tomo um grande susto.

Minha amiga chora desesperadamente. Eu quase não entendo o que ela diz. Paro o vídeo e volto para a parte onde ela começa a falar. Dessa vez estou prestando mais atenção. Dessa vez eu consigo entender o que ela diz. E o que ela diz não é nada alentador. Muito ao contrário.

No meio do choro, é possível entender que um novo vírus está se espalhando pelo país e mais de 200 pessoas morreram. Ela fala que esses são os números oficiais, mas se tratando de China, devemos duvidar. Só no hospital onde ela trabalha, mais de 5.000 pessoas foram infectadas e quase 130 morreram.

Ela não sabe informar qual o nome do vírus e como ele se espelha. Os cientistas ainda estão estudando, o que deixa a situação mais assustadora e a população mais aterrorizada. Ela insiste que eu transmita a mensagem para as pessoas que eu conheço, isto é, familiares, amigos, colegas de trabalho.

Olho para o relógio. Tenho 20 minutos para entregar o projeto e ainda preciso revisar o que escrevi. Não quero cometer erros de ortografia e concordância verbal, apesar de o word me ajudar bastante marcando os erros.

Penso na minha amiga pedindo desesperadamente que eu espalhe o vídeo para o maior número possível de pessoas.  Ao mesmo tempo penso no projeto. O que é mais importante agora? Neste momento o projeto é mais importante, pois o meu emprego está em jogo.

Semana passada recebi um ultimato da minha chefe. Ela disse que se eu não impressionar o cliente, posso pegar minhas coisas e procurar emprego em outro lugar. E como emprego não está fácil pra ninguém, preciso manter esse a qualquer custo.

Penso mais uns segundos sobre o vídeo da minha amiga e começo a racionalizar. A China está do outro lado do mundo. Até o vírus chegar no Brasil, bem, vai demorar muito. Se é que vai chegar. Esse vírus deve ser mais uma daquelas gripinhas que aparecem a todo instante. E como eu tomo muita vitamina C todos os dias e sou praticamente um atleta, não vou pegar esse resfriadinho.

Decisão tomada. Volto para o meu projeto. Como dito antes, tenho menos de 20 minutos para terminá-lo. Deixo o vídeo da amiga para mais tarde. Mais tarde eu repasso o vídeo para todos os meus contatos. Mais tarde eu me informo melhor sobre esse tal vírus. Se for o caso, mais tarde eu me previno. Mais tarde eu levo essa situação a sério. Mais tarde... Mais tarde...

Mais tarde pode ser muito tarde!!!



Eddie King – 03.04.2020

domingo, 29 de março de 2020

Onde?






Diz a lenda que certo homem saiu do seu vilarejo, localizado numa ilha no meio do Oceano Pacífico, e foi atrás da resposta para uma pergunta que o perseguia desde sua infância.

Man, que é o nome do homem da lenda, era curioso por natureza. Por viver num lugar belo e exótico, vez ou outra se pegava imaginando de onde vinha tamanha beleza.

O tempo passava e sua curiosidade somente aumentava. Ele conversava com as pessoas mais velhas, procurava respostas nos livros científicos, mas nunca estava satisfeito.

Certo dia, não se aguentando mais de tanta curiosidade, Man se despediu dos parentes e amigos e resolveu viajar pelo mundo. Deu um abraço demorado no pai, um beijo carinhoso na mãe e partiu.

Visitou os lugares mais diferentes possíveis. Passou calor e sentiu frio. Subiu montanhas e explorou cavernas. Trepou em árvores e em arranha céus. Ouviu o cantar dos pássaros e o buzinar dos carros.

Conversou com crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Ouviu os mais acreditáveis relatos. E os mais inacreditáveis também. Mas independentemente da história, a pergunta ainda lhe perseguia.

Decidiu então que não havia resposta para sua pergunta e resolveu voltar para casa. Estava com saudades dos seus pais e esperava muito encontrá-los vivos, pois já estava muito tempo fora de casa.

Durante a viagem de volta, enquanto pensava em tudo que viveu, e também nos seus pais, um homem sentou-se à mesa que Man estava. Virando-se para o garçom, o homem pediu um O.J.

- Você aceita um O.J. também?
- O.J.? O que é isso?
- Orange Juice. É a forma que os americanos usam para falar suco de laranja. Não sabia?
- Não, não sabia.
- Ah, os americanos. Eles usam cada gíria. Semana passada eu estava em New York quando uma moça....
- Me desculpe. Eu te conheço?
- Não. Mas eu te conheço.
- De onde?
- De vários lugares.
- Puxa vida! Não me lembro de tê-lo visto.
- Mas eu me lembro de você. Aliás, te conheço desde pequenininho, quando você era desse tamanho oh. Atrevo a dizer que te conheço desde quando você estava na barriga da sua mãe.

Man tomou um susto. Esse homem morava no vilarejo? Ele nunca o viu lá. E Man conhecia todas as pessoas do vilarejo. Todas. Afinal de contas era um vilarejo pequeno.

Man estava desconfiado. Quem seria aquele senhor e o que ele queria? Ele tinha uma memória muito boa e com certeza se lembraria se já tivesse visto aquele senhor.

- Olha, você deve estar me confundindo com alguém porque eu nunca te vi.
- Sim, me viu.
- Se tivesse visto com certeza me lembraria.
- Eu sei. Sua memória é muito boa. E fique tranquilo. Eles estão vivos.
- Eles quem?
- Os seus pais. Não era isso que estava pensando há alguns minutos?

Man ficou paralisado por alguns instantes. Como assim esse senhor sabia o que ele estava pensando? Ele buscou no fundo da sua boa memória, mas realmente não se lembrava de ter visto ou falado com aquele homem.

- Ok. Isto já está ficando estranho. Quem é você?
- Eu sou a sua resposta.
- Resposta?
- Sim. Desde pequeno você se pergunta: Onde Ele está? Bem, aqui estou.

Man, mais uma vez, ficou paralisado. Como assim? Ele estava diante de Deus??? Ele não podia acreditar nisso. Passou praticamente sua vida toda atrás da resposta e agora Ele estava ali.

- Eu não acredito. VOCÊ EXISTE.
- Claro que sim.

Man não acreditava no que estava ouvindo. Nem no que estava vendo. Depois de muitas viagens ele estava finalmente falando com Deus. E agora ele poderia tirar uma dúvida que o perseguia desde sempre.

- Então......... ONDE VOCÊ ESTAVA ESSE TEMPO TODO?

Man explodiu em revolta e fúria. Durante sua viagem pelo mundo ele presenciou muita coisa bela e agradável. Porém, ao mesmo tempo, foi testemunha de muitas injustiças e isso o enervava demais.

- Eu sempre estive com você.
- Como assim? Eu nunca te vi.
- E nem pode me ver. Não na minha forma real. Vocês ainda não estão preparados.
- Mas como então eu estive com você?
- Lembra da dona Zeide, a mulher da mercearia que você comprava o bolo de chocolate que você ama?
- Sim, lembro.
- Lembra do homem que você encontrou na Avenida Paulista nas suas andanças pelo Brasil?
- Lembro.
- Lembra da moça que você conheceu no Canadá enquanto escalava as Montanhas Rochosas?
- Sim, lembro dela também.
- O que essas pessoas têm em comum?

Man parou por uns segundos para pensar nas pessoas mencionadas: dona Zeide, o homem da avenida Paulista e a alpinista canadense... todos separados por milhares de quilômetros. O que eles poderiam ter em comum?

- Hmmm... Lembrei.
- Então?
- Todos eles me falavam sobre o amor. E muitas vezes não só falavam como demonstravam o amor com atitudes.
- Explique-se.
- O homem da Paulista me deixou passar uns dias na casa dele. A alpinista fez a mesma coisa. E na casa deles eu pude descansar, recuperar as energias e assim continuar minha viagem. E o engraçado é que eles nem me conheciam direito.
- E a dona Zeide?
- Ah a dona Zeide... Ela sempre falava de você. Bem... eu... posso chamá-lo de você?
- Hmm... Pode me chamar de Senhor mesmo.
- Pois bem. Ela sempre me falou do Senhor. Disse que Deus é amor, que perdoa as pessoas e que sempre nos dá novas oportunidades.
- E...
- E falava que devíamos fazer o mesmo: amar, perdoar e dar as pessoas novas oportunidades.

Man estava perplexo e embasbacado. Passou a maior parte da sua vida a procura da resposta para sua pergunta e ela estava logo ali, bem debaixo do seu nariz.

- Então, qual seria a resposta para a sua pergunta?
- Bem, a resposta é: DEUS ESTÁ EM TODO LUGAR.
- Muito bem. Eu estou em todo lugar, mas principalmente nas pessoas. Por isso é importante que as pessoas que creem em mim demonstrem amor com atitudes e não somente com palavras.

Man começava a entender o que Deus estava falando. As pessoas procuravam Deus no extraordinário, no impossível, nos milagres quando na verdade tinham que procurar no próximo.

Mil pensamentos estavam a passar por sua mente e Man tinha um milhão de perguntas para fazer e sabia que essa era uma chance única. Quando organizou suas ideias e resolveu falar, Deus o interrompeu.

- Eu sei que tem muitas perguntas, mas não poderei responder agora.
- Mas por que não?
- Porque você já está quase perto de casa.
- Que pena. Tinha tanta coisa pra falar.
- E você pode falar. Você tem total acesso a mim. Pode falar comigo todos os dias.
- O Senhor está falando da oração?
- Exatamente. Você pode abrir o seu coração e falar tudo que pensa. Mas por favor, nada de oração decorada. Elas são um porre.
- Como assim?
- A repetição não faz que eu ouça sua oração. O que vale é uma oração sincera. Se estiver triste, chore. Se estiver alegre, sorria. Se estiver grato, agradeça. Se estiver bravo, reclame. Mas seja sincero.

Man nem tinha se despedido e já estava com saudades. Em toda sua andança pelo mundo, ele nunca tinha sentido tanta paz como naqueles minutos que esteve com o Senhor. Ele nunca esqueceria esse momento.

- Bem, preciso ir.
- Até mais Senhor. E muito obrigado.
- Ah, Man. Entregue esse papel para filha da dona Zeide.
- O que é isso, Senhor?
- É uma receita para implementar o bolo de chocolate.
- Wow. E se ela me perguntar quem me enviou, o que eu digo.
- Diga simplesmente que Eu Sou te enviou.

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Vivemos um momento delicado da história do nosso país e do mundo. Muitas pessoas preocupadas com a saúde. Tantas outras preocupadas com o trabalho. E há até pessoas preocupadas com o que irão comer.

Essa preocupação não é privilégio dos brasileiros. Pessoas estão assustadas no mundo todo. E por conta desse medo, muitas pessoas têm questionado não somente a existência de Deus, mas sua bondade.

Essas dúvidas são recorrentes entre as pessoas, e elas florescem sempre que há uma situação de caos e desconforto, porque, cá pra nós, quando as coisas estão bem, ninguém se lembra de Deus.

Deus não está escondido num lugar secreto do Universo. Ele está perto de nós através da figura e palavras de Jesus. Ele está na natureza. Ele está nas pessoas. E fala conosco diariamente. Quem tiver ouvido, que ouça.

E vale lembrar que Jesus nunca prometeu uma vida sem tribulações. Mas sim prometeu estar conosco em cada momento, seja bom ou ruim.

Que nesses dias de incerteza e tribulação, ao questionar a existência de Deus, você possa abrir os olhos e enxergá-Lo; e ao questionar sua bondade, você possa lembrar que Jesus cuida dos seus.

“Estou a tanto tempo convosco e não me tendes conhecido? Quem me vê a mim, vê o Pai.”
João 14:9

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”
João 16:33


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

The Game

Resultado de imagem para basketball game



He has never enjoyed leaving his house. If he could, he would stay there forever. He remembers the last time he had to do that. It was his mom’s funeral. It was exactly ten years ago. He was playing with his son in the backyard when his wife showed up with red watery eyes.

She stared at him for 30 long silent seconds. He was preoccupied. Why was she so quiet? Why was she crying? Why didn’t she say something, anything? That was the worst day of his life. Today is the second worst day of his life.

Don Corneone leaves the hospital where his son Luca is getting treated. He doesn’t like going to America but told his men to prepare his jet the very moment he heard his son was shot. He spent all the way from the old continent to the new land thinking about his son. He couldn’t lose another beloved person. He had just recovered from his mom’s death.

He leaves the hospital where he has just seen his son. He seems fine. Thank God for that. well, as he told his son and wife, he has business to attend and will get back as soon as possible to take care of Luca and his perpetrator.

Don Corneone is a big man. He has always been bigger than the other boys since he was a teenager. Despite all his size, his nickname is The Whisperer. Why? He doesn’t speak out loud. Never. It doesn’t matter how he feels: sad, happy, stressed, excited, worried. He always has the same tone. And that’s what scares most of his enemies. And friends. And family.

It starts raining the moment his car leaves the garage of the Brooklyn Hospital Center towards Madison Square Garden. This week is Kobe Bryant last game in the Big Apple and Don Corneone doesn’t want to miss it for nothing in this life. He played basketball with Kobe’s father, Joe Bryant, when he lived in Italy and ever since they became best friends.

- Come va fratello?
- Sto bene, e tu? Come è il mio giocatore preferito tuo figlio?
- Ok...ok. Stop right there. Haha… My Italian is rusty.
- Your Italian was never that good.
- The same goes for your English.

Both giggle and then hug each other.

- I asked you about Kobe. How is he?
- Oh, he is just fine, anxious for the last game at Madison Square Garden.
-I would be too if I were him. Is he here?
- Nope. He went to a friend’s house. He’ll be back later. What are you doing here in America?
- I came to see my son.
- Yeah, Luca. How is he?

Don Corneone tells Joe what happened to Luca.

- Wow. I’m sorry to hear that. Is he ok?
- . I think so. He’ll survive.
- Watchyagonnado?
- I dunno. I’m still working on it.
- Lemme know if there’s anything I can do.
- Actually, there is something you could do.
- What? Tell me. Anything.
- Do you have extra tickets????

November 8th, 2015

- Oh Mio Dio! Non ci posso credere!

Luca is astonished, amazed. He cannot believe what is just happening in front of him. His father got tickets for the game at Madison Square Garden and, along with his mom and dad, is witnessing a historical game of a historical player on a historical day.

- The Mamba is a great player. One of the best, ever. Wow!!!
- He’s good.
- Mom???? He’s good??? He is AWESOME!!!
- And handsome. Very handsome.
- MOM?!?!?
- What? È un ragazzo bellissimo.
- I’ll tell daddy.
- Oh please. Give me a break.
- By the way. Where’s dad, mom?
- He’s over there talking to Joe. They are catching up.

While Kobe plays well as usual, Joe and Don Corneone talk about business. Joe is trying to convince Don to open a Mamba franchise in Italy. Business has been good, and he wants Don to be part of it.

Not far from where they are, Luca, his mom and Rafaello watch the epical game. Luca is amazed. He never thought he would live to watch the last game of Mamba at MSG. He is not a huge fan of the game – he prefers soccer – but today is a special day.

While he talks to Rafaello about Kobe’s plays, he sees a familiar face. He can’t believe it. The scimmia who attempted to take his life is two rows down. That is the chance he asked God for. It is payback time.

- Hey, Rafa.
- What?
- Check it out.
- Check what out?
- Over there. Do you recognize that figlio di puttana?
- Oh My God!!! Is that who I think it is?
- Yeah. That’s him.
- Hey, man. You are not gonna do anything stupid, right? Luca… Hey Luca.. Lucaaaa…

Luca is gone. He is going to teach that boy a lesson he will never forget. He will tell him that he should have killed him when he had the chance. Now it is too late. Now it is payback time (Luca loves using this expression).

- Hey, nigger. It is payback time.

Sam looks back and he freezes. He doesn’t believe in his eyes. There is a boy pointing a gun right at his chest. And it is the same boy he shot some days ago.

- What the f*** are you doing here, maricon?
- MARICON IS SPANISH. I AM ITALIAN.
- Whatever, man. I thought you were dead.
- Well, I’m not.
- Listen, maricon. I am watching the game, alright?
- I don’t give a damn.
- Watchyagonnado? You gonna shoot me?
- You’re damn right I’m gonna shoot you.
- So do it. DO IT.
- A GUUUUUUUN. HE HAS A GUUUUUUN. AAAAHHHHH!!!

A woman who is beside Sam sees Luca holding the gun and starts screaming. Now everyone is looking at them. Literally everyone (the people at MSG and the people at home) because a camera is showing Luca, Sam and the gun in the big screen.

Everybody stops what they are doing. A father stops talking to his son; a young boy stops kissing his girlfriend; the sports commentator of ESPN stops commenting; Don Corneone stops talking to Joe; Kobe stops playing.

- Alright, maricon. You got all the attention now. Are you still gonna shoot me, huh?
- Yes, I am, and no one is gonna stop me.

He looks back. His father is looking at him.

- Papà. Non avvicinarti.
- What are you doing, son?
- Remember I told about about the black boy? Well, this is him.

Don Corneone tries to get closer.

- STAY AWAY, DADDY! DON’T GET ANY CLOSER.
- But son…
- No buts. He shot me and he will die now.
Don Corneone takes two steps towards Luca.

- I SAID STAW AWAY.

Luca points to the ceiling and shoots twice. BANG! BANG!

Some people duck. Others start running. Sam tries to move.

- Stay still. Do not move a muscle.
- Hey, man. I’m so sorry, ok.
- No, it’s not ok. You tried to kill me.
- Yeah. I did. And for that I am sooo sorry.
- Stop apologizing. That’s not gonna save your ass. You die today. And this is not revenge.
- It’s not???
- Nope. This is a lesson. People will learn that they cannot mess with Italians.
- No??? Why not???

That voice. He recognizes that voice. It is… it is… MAMBA.

- Cosa stai facendo figlio?
- Kobe?!?! Parli Italiano?
- Sì. Ho transcorso la mia adolescenza in Italia.

Luca doesn’t know what to do. He is talking to Kobe in Italian.

- What are you doing, son?
- With all due respect Mr. Mamba… I didn’t mean to interrupt the game or anything like that but… I’m gonna kill this nigger…
- Oh… so he is a nigger.
- Yeah. A monkey.
- Ok. So if he is a monkey, a nigger… so am I, right?
- No, Mr. Mamba. You are not a nigger, not a monkey.
- No???? Why not? We have the same skin color.

Sam stops crying. He is happy now. His idol is defending him.

- Yeah. That’s right, maricon.
- Shut up, boy. Maricon is Spanish and this boy is Italian. Can’t you see the difference?

Sam stops talking. His idol is teaching him a lesson.

- Hey, son. Give me your gun.
- But… but… HE TRIED TO KILL ME.
- He did? Well, that was stupid. Don’t be stupid too.

Luca gives his gun to Kobe who takes it and gives to a security man who was next to him. But before doing that, he asks Luca:

- How did you get in with a gun?
- That’s a long story.
- And they say America is the safest country in the world. Bullshit!

Everyone starts laughing.

- Hey, you two. Come here.

Luca and Sam get closer.

- What’s your name?
- I’m Luca.
- And you?
- I’m Sam.
- Ok, Luca. Ok, Sam. Where does all this hatred come from?

They look at each other but say nothing. They don’t know what to say.

- You Luca hate him because of the color of his skin. And you Sam hate him because he speaks a different language. Is that it?

They still don’t know what to say.

- Let me ask you a question then. Do you guys like me?

Now they start talking.

- Of course. You are the best. You are incredible. You are a great player. One of the best of all times. People compare you with Michael Jordan. Some people say you are better than him. You are…

They can’t stop now. They love Kobe. Both of them. Kobe interrupts them. He is flattered with all the complements, but his face shows a serious Kobe.

- Ok. Lemme tell you something Luca because maybe you haven’t noticed… I… AM… BLACK. Oh, lemme tell you something too Sam…. I… SPEAK… ITALIAN.

Both don’t know what to say.

- Lemme ask you another question: Do you know each other? I mean, for real? Have you ever been to each other’s house? Do you know each other’s family?

They still don’t know what to say.

- Your silence explains a lot. Come on, guys. You can do better than that. See, you can’t hate what you don’t know. And the same goes for love. You can’t love what you don’t know. For example, you love me because you see my games, my documentaries, films talking about me and my family. Do you feel me?

Both nod.

- But the question is: do you really know me? Maybe if you know me deeply, well, you will hate me. Or love me more. I don’t know. But you’ve got to know me.

They look at each other now. The hatred in their eyes has vanished.

- I know, boys. These are confusing times. There are people who believe Earth is flat; others believe war is the solution for all problems; others believe a race can be superior than others. Really confusing times.

Sam looks at Kobe and, with disbelief in his yes, says…

- WHAT???? EARTH IS NOT FLAT????

The tension is over. Everybody bursts with laughter. After some time, Don Corneone approaches Sam.

- Hey, kiddo.
- You are Luca’s father, right?
- Yes.
- Wow. Your voice is awesome. It sounds like you’re whispering.
- I know. Cool, right?
- Yeah. Cool.
- Well, kiddo. I want to say I am sorry.
- Sorry for what?
- When I was talking to my son about what happened I called you negro. I’m sorry for that.
 - That’s ok. You didn’t know me.
- Can you forgive me?
- Yeah, of course.

Everybody is talking to everybody, a scene unimaginable 30 minutes ago. Instead of blood, death and hatred we can see and feel SMILES, LIFE and LOVE.  

The PA system of the Madison Square Garden informs that due to the unexpected event the game will be postponed. People who bought the ticket only for that game will be reimbursed.

Suddenly, out of the blue…

- EVERYBODY FREEEEEEEEEZE. 

New York Police arrives at the scene.

- I SAID FREEEEEEEEZE.

Kobe tries to talk to them.

- It’s ok, sir. Everything is ok now.
- Shut the fuck up.
- Hey!!! Take it easy man.
- Take it easy, my ass. I hate the Lakers. I am New York Knicks.

Luca tries to defend Kobe.

- Hey, signor. Kobe è il miglior giocatore della lega.
- Oh, shut the f*** up, maricon. I don’t speak Spanish.

Sam tries to defend Luca.

- Hey. He is not Spanish. He is Italian.
- Oh, shut the f*** up, nigger.

The harmony is over. People start shouting in English, in Spanish, in Italian… it is a chaos.

Kobe sits down. He is tired. He looks up, and as he is talking to God he says…

All I want is a world with less hatred and MORE...


LOVE


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